Assim é

Vejo a estranha forma
que a fumaça se transforma.
Assopro cinza
na patrulha ranzinza.

-Isto haverá de te matar...
-Apenas isso? Todo resto não pode me tocar?

Como seria a solidão sem ele?
Dizem-me que ela é, só por ele.
Que todo resto nem pensaria em me deixar.

Simplórios pensamentos
de simplório sargentos.
A vida lhes é rotina.
Previsível rotina,
até como termina.
Creem na televisão,
ou noutro charlatão.
São retilíneos obedientes
de planos dementes,
como vacas enfileiradas
prestes a serem assassinadas.
Comerão sua carne
no churrasco de sempre.
Também comerão outro corpo eunuco,
no Templo de um Guru maluco.
Assim vivem
os esteios da sociedade
e títeres da sobriedade.
Dormem às vezes, após o frio sexo
e acordam novo dia sem nexo.
Assim vivem
os expoentes sociais,
os considerados normais...
Dormem, acordam.
Acordam, trabalham
e dormem sem sonhos.
É pouco o que tem do Mundo,
e que ocupam no Espaço.
Do Tempo nada tem,
pois vendem-no ao relógio
até que lhes chegue o necrológio.

Dizem bravatas por futebol,
masturbam-se por revistas
e enquanto sonham com carros,
planejam a troca do assoalho
e gargalham pelo baralho.

Assim vivem.
Talvez gostem...
 

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Domingo, Enero 2, 2011 - 09:54

Poesia :

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fabiovillela

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Comentarios

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Concordo contigo ,assim vivem

Concordo contigo ,assim vivem ,talvez gostem de viver assim como "vacas de presépio "

ao invés de usar a mente e pensar ....

Muito bom sua  poesia !!!!

Beijo

Susan

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Grato

Susan, obrigado por teu comentário. Bj.

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