Assim é

Vejo a estranha forma
que a fumaça se transforma.
Assopro cinza
na patrulha ranzinza.

-Isto haverá de te matar...
-Apenas isso? Todo resto não pode me tocar?

Como seria a solidão sem ele?
Dizem-me que ela é, só por ele.
Que todo resto nem pensaria em me deixar.

Simplórios pensamentos
de simplório sargentos.
A vida lhes é rotina.
Previsível rotina,
até como termina.
Creem na televisão,
ou noutro charlatão.
São retilíneos obedientes
de planos dementes,
como vacas enfileiradas
prestes a serem assassinadas.
Comerão sua carne
no churrasco de sempre.
Também comerão outro corpo eunuco,
no Templo de um Guru maluco.
Assim vivem
os esteios da sociedade
e títeres da sobriedade.
Dormem às vezes, após o frio sexo
e acordam novo dia sem nexo.
Assim vivem
os expoentes sociais,
os considerados normais...
Dormem, acordam.
Acordam, trabalham
e dormem sem sonhos.
É pouco o que tem do Mundo,
e que ocupam no Espaço.
Do Tempo nada tem,
pois vendem-no ao relógio
até que lhes chegue o necrológio.

Dizem bravatas por futebol,
masturbam-se por revistas
e enquanto sonham com carros,
planejam a troca do assoalho
e gargalham pelo baralho.

Assim vivem.
Talvez gostem...
 

Submited by

Domingo, Enero 2, 2011 - 09:54

Poesia :

Sin votos aún

fabiovillela

Imagen de fabiovillela
Desconectado
Título: Moderador Poesia
Last seen: Hace 9 años 22 semanas
Integró: 05/07/2009
Posts:
Points: 6158

Comentarios

Imagen de Susan

Concordo contigo ,assim vivem

Concordo contigo ,assim vivem ,talvez gostem de viver assim como "vacas de presépio "

ao invés de usar a mente e pensar ....

Muito bom sua  poesia !!!!

Beijo

Susan

Imagen de fabiovillela

Grato

Susan, obrigado por teu comentário. Bj.

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of fabiovillela

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Tristeza A Maria do Crack 0 5.173 07/22/2014 - 14:48 Portuguese
Poesia/Amor Quadrantes 0 4.941 07/21/2014 - 14:15 Portuguese
Poesia/Amor Tudo 0 2.179 07/20/2014 - 01:11 Portuguese
Prosas/Otros Spinoza e o Panteísmo - Parte I 0 3.512 07/19/2014 - 16:10 Portuguese
Prosas/Contos Rubenito Descartes 0 4.351 07/18/2014 - 22:45 Portuguese
Poesia/Amor Aconteceu 0 4.821 07/18/2014 - 16:19 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte XIV - Considerações Finais 0 7.214 07/17/2014 - 15:22 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte XIII - A Sobrevida da Espécie 0 9.528 07/16/2014 - 15:15 Portuguese
Poesia/Tristeza Lamento 0 2.258 07/15/2014 - 14:00 Portuguese
Prosas/Otros Com mais amor. Com mais orgulho. 0 9.404 07/14/2014 - 22:44 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte XII - O Extase Religioso 0 9.281 07/14/2014 - 14:44 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte XI - A Arte 0 8.002 07/11/2014 - 15:15 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte X - O individuo genial. 0 5.433 07/09/2014 - 15:23 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte IX - A Sabedoria da Vida 0 5.962 07/07/2014 - 15:11 Portuguese
Poesia/Dedicada Com muito orgulho e com muito amor 0 3.917 07/06/2014 - 15:51 Portuguese
Poesia/Amor Prenúncio 0 2.381 07/04/2014 - 15:16 Portuguese
Poesia/Tristeza Elos 0 3.666 07/01/2014 - 14:42 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - O Suicidio - Parte VIII 0 13.266 06/30/2014 - 20:53 Portuguese
Poesia/Amor Sophie 0 4.030 06/29/2014 - 17:15 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte VII 0 4.142 06/29/2014 - 14:59 Portuguese
Prosas/Otros Schopenhauer e o Idealismo Alemão - Parte VI 0 5.484 06/27/2014 - 20:57 Portuguese
Poesia/Amor A canção de Saigon 0 4.853 06/25/2014 - 15:56 Portuguese
Poesia/General Cantares 1 3.685 06/24/2014 - 18:56 Portuguese
Poesia/Amor A Estrela da Noite Fria 0 6.814 06/22/2014 - 15:17 Portuguese
Poesia/Amor A Volta 0 4.923 06/20/2014 - 15:15 Portuguese