Dia de folga

Mal aparece o Sol,
Já duas gaivotas bailam, rodopiando.
Uma multidão sai do cais,
Eu vou andando.
Está frio.
O Tejo verde,
Com um toque de azul, mas pouco.
Observo as pessoas e as tainhas.
Ambas se amontoam,
Penso.
Fixo-me agora nos sons.
O do semáforo, cadenciado
Enriquece a melodia.
Aproveito e atravesso.
Esquivo-me às arcadas evitando a gente que corre
Para atravessar o arco da Rua Augusta.
De imediato recuso dois relógios de ouro.
Reparo que já não me propõem haxixe…
Estou velho.
Estou visivelmente velho.
Dois rapazes vendem bugigangas
Que não compro, nem aprecio,
Mas aproveito o espelho e confirmo a minha idade.
Choro, por dentro.
Nada mais penso até entrar no comboio.
Da janela vejo que aqui são os pombos que imitam as pessoas,
Empurrando-se por migalhas secas de pão.
Amanhã,
Quando regressar,
Perderei (novamente) a consciência
E farei como eles.

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Martes, Noviembre 4, 2008 - 23:58

Poesia :

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Conchinha

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Comentarios

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Re: Dia de folga

Um poema bem conseguido!!!

:-)

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Re: Dia de folga

estou a gostar imenso da tua poesia!

saudades do tejo..

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Re: Dia de folga

Obrigado.
Bjs

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Re: Dia de folga

Este quadro sobre o cais, que se passeia pelas ruas da baixa é bem ao estilo de quem sobrevive à agitação das ruas frias e indiferentes de Lisboa

Gostei
Bjs
Dolores

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Re: Dia de folga

...ou adorava sobreviver...
A propósito, fazes yoga ou meditas, ou a foto é apenas uma boa silhueta?
Bjs

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