Tenho um capeta numa garrafa guardado

Latem cães na madrugada anunciando o dia.
Há homens acocorados vigilantes.
São os últimos pioneiros da covardia.

Uivam como lobos, matam os cordeiros.
Acordados no passado de todos os instantes
Dos últimos homens, os primeiros

Untam-se em mesquinhos pensamentos
Futuristas acabados e delirantes
Falsos médicos e seus fatais unguentos

Alguns reclamam até magistratura
Filhos bastardos de Reis, os Infantes
Em coisas de leis e até em literatura

É preciso cuidado ao dobrar da esquina
Montam esperas e tocam concertina
Os chacais das terras mais distantes

Sua música é letal de tão fina
Sua canção de ódio não desafina
É morte anunciada no leito dos amantes

Tenho um destes numa garrafa guardado
É capeta convencido, arrogante e malcriado
Dança samba e canta até o fado
Mas já não o faz como antes fazia

Estou a pensar rifá-lo
Numa feira como velharia
Alguém quer comprá-lo?

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Sábado, Enero 24, 2009 - 13:34

Poesia :

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admin

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Comentarios

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Re: Tenho um capeta numa garrafa guardado

Um poema bem conseguido!!!

:-)

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Re: Tenho um capeta numa garrafa guardado

O capeta, não, mas o poema , sim. Compro.
Bom trabalho.
É uma crítica que dá ares ao que se fazia nos anos 70, mas com uma originalidade que o distingue.

Abraço

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