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O peso imenso das ilusões
Se um tolo sobe a montanha
Nem mesmo os animais irá ouvi-lo
O sábio descansa em sua humildade
Aguardando a sua vez de expressar
A sabedoria é um bálsamo para a alma
Quando se saber ouvir atentamente.
Existe uma violência em estar perdido
Quando se caminha pelos campos da ilusão
Nem mesmo as longas conversas fiadas
São capazes de amenizar o sofrimento
E, mesmo os dias sendo preenchidos de incompreensão,
Essa violência acaba sendo ignorada.
Todos aqueles de palavras erradas
Querem ser ouvidos como estando certos
São seres de olhares velhacos
Que tentam de toda sorte se darem bem
Aproveitando das distâncias existentes
Entre os pais e filhos, mestres e discípulos.
Alguns ainda estão acorrentados na caverna
Iluminados pela escuridão da ignorância
Preferem o comodismo, a zona de conforto,
O caminho mais fácil de uma vida miserável
Porque essa escolha os afasta da árdua batalha
Em busca de uma aventura superior.
Quando encontrei o livro sagrado pelo caminho
Fiz-me a pergunta crucial da existência
Ouvi as vozes milenares de sábios e tolos
Burburinhos e cochichos não inteligíveis
Daqueles vultos que viviam nas sombras
Que nunca puderam responder tais perguntas.
E assim, na solidão de um deserto escaldante,
O poeta precisou carregar nas costas
O peso imenso das ilusões perdidas no tempo
As inúmeras indagações de cabeças ocas
E as lamúrias de tolos incomodados com o saber
Porque os olhos estão fechados para o mundo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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