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As abelhas e o refrigerante

As Abelhas e o Refrigerante
Jorge Linhaça

Existem certas cenas que se repetem em nossas vidas, como que a nos instigar a perceber o porquê dessa insistência.
Anos atrás fotografei as abelhas sobre a lata de um refrigerante que eu tomava, pensando escrever sobre isso e, simplesmente, esqueci.
Hoje, ao tomar outro refrigerante, a cena repetiu-se, não tinha uma câmera para fotografar, por isso valho-me da foto antiga para ilustrar esta minha reflexão.

Meu primeiro impulso foi sentir-me um tanto quanto feliz por que a abelha, afinal, usufruía dos restos do refrigerante e sorvia-o tal qual faria com o néctar das flores...ops...aí me dei conta de algo assustador:

As abelhas ( por certo não apenas aquela ) tem sido atraídas pela facilidade de encontrar alimento e matéria prima em maior abundância do que aquele contido nas flores.
Oras, para cada "lambida" que uma abelha dá num restinho de refrigerante, garapa ou suco, quantas flores deixam de ser visitadas e consequentemente polinizadas por esses insetos?

Lembrei-me de que, em Santa Catarina está havendo um misterioso "sumiço" das abelhas das colmeias dos apicultores.
Não sei se existe alguma relação com a ação de "minhas abelhas" da lata de refrigerante, mas talvez elas tenham cansado de viver em uma casa de madeira e voar de flor em flor e tenham encontrado alguma "terra da fartura" das abelhas com "rios, lagos e mares" de refrigerantes , sucos, etc.

O prejuízo vai muito ale´m da perda de produção do mel e outros produtos da apicultura, a não polinização das árvores frutíferas acarreta em perda produção também de frutas.

Também é verdade que a qualidade do mel produzido por essas abelhas "urbanas" é comprometida pelo material coletado por elas, podemos imaginar que em algum momento estejamos tomando mel de refrigerante ao invés de, por exemplo, mel de flor de laranjeira.

Após pensar nas abelhas e nas consequencias desse "alimento fácil " voltei meus pensamentos para a comparação com os seres humanos, principalmente nossos jovens.
Com as facilidades da vida moderna, com os apelos comerciais, a grande maioria de nossos jovens não tem a menor idéia de onde vem os alimentos, talvez alguns até pensem que eles são produzidos nos supermercados...sei lá.
Não sei se hoje , um número significativo de moças e rapazes, sabem cozinhar, costurar, bordar, tricotar, crochetar ou fazer pequenos reparos de hidráulica, elétrica, marcenaria, alvenaria...

Tudo hoje é fácil demais, tudo pode ser comprado, até mesmo sem se sair de casa, é mais fácil pagar para ter do que aprender a fazer, até porque muitos pais não tem tempo de ensinar e talvez nem mesmo eles saibam lidar com ferramentas ou utensílios de cozinha.
As Festas de aniversário cada vez mais se deslocam para as redes de Fast Food o que, perdoem-me os mais consumistas, retira muito da "magia" do aconchego e dos preparativos para uma festa familiar e com os amigos e colegas.
Claro...fazer a festa em um lugar reservado evita muito trabalho...não tem que se fazer compras, preparar alimentos, a casa não fica de ponta cabeça etc...

Mas afinal, isso não é o que realmente faz parte? Esse "tumulto controlado" que os envolvidos vivem nesse dia de festa?
Aquela turma que fica até o final e ajuda com as vassoura e na eliminação "do mais grosso" da bagunça...
Sei lá...talvez eu seja um pouco saudosista...mas acho que no fim isso faz falta.
Para grande parte de nossa juventude, festa, comemoração, balada, são sinônimos de ingestão de drogas ( lícitas para a maioria e ilícitas para outra parcela nem tão pequena assim).

Falo dos jovens, mas poderia falar de qualquer um de nós...
Quantas vezes não agimos como as abelhas urbanas, optando pelo mais fácil ? Quantas vezes não nos deixamos iludir pelas paixões por estas exigirem menos esforço que o amor ?
Quantas vezes nos deixamos levar pelo sentimento de que a solidão é menos perigosa do que os relacionamentos e nos acostumamos a ser eremitas de nossas almas.

Não falo da solidão de quem se isola no deserto ou montanha, literalmente, mas dessa solidão com a qual compactuamos a cada dia. Essa solidão que nos acomete mesmo quando estamos em grupo. Esse sentimento de cada um por si e Deus por todos.

Nos tempos modernos cada qual cria o seu próprio mundo, como se fora um "pequeno príncipe". A diferença é que, viajamos para fora de nossos asteróides e nos tornamos, por alguns momentos despersonalizados, passamos a repetir o comportamento da maioria...levamos ao pé da letra o " Em Roma como os romanos" e dito assim até parece a frase de um leão no coliseu..."como os romanos"...Mas, trocadilhos à parte, a nossa solidão vem em parte dessa "necessidade" de andar uniformemente , politicamente correto , engolir as nossas próprias idéias em prol de uma "boa convivência"

Somos abelhas tomando refrigerante, esquecendo como fecundar as flores, vamos criando um mundo de idéias assépticas, uniformes, ditadas em grande parte pela mídia em todas as suas formas.

Faltam jardins e nossas vidas e, no entanto, reclamamos da falta de borboletas...cimentamos nossos canteiros de idéias e ideais, depois reclamamos que o mundo é muito estranho.
Esse mundo "estranho" é o que permitimos que se construa à nossa volta a cada calar de voz, a cada idéias natimorta pela nossa falta de coragem em externá-la, a cada passo em direção à uniformidade, ao mais um no meio da multidão.

Se nosso mundo e o de nossos descendentes vai ter ou não jardins, se as borboletas e abelhas voltarão um dia, depende das pequenas escolhas que fazemos hoje e do que ensinamos às novas gerações que nos sucederão.

Ninguém é tão pequeno que não faça diferença em muitas vidas, depende apenas de ter as atitudes corretas para que essa diferença seja para o bem.

A escolha é de cada um de nós...ou nos alimentamos das flores ou nos contentamos com os restos de refrigerantes...

Arandú, 15 de abril de 2011
11:56

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domingo, maio 15, 2011 - 12:49

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Jorge Linhaca

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