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Filosofia sem Mistério - Dicionário Sintéticoio

CAPITALISMO – a palavra “Capital” vem do latim “CAPITALIS”, que veio do indo europeu “KAPUT = cabeça”, em referencia a “cabeças de gado”, medida de riqueza na Antiguidade. Com o tempo passou a significar “dinheiro, moeda”. O termo “KAPITALIST” ou Capitalista, foi usado pela primeira vez por Marx e Engels no “Manifesto do Partido Comunista”, de 1848. Já a palavra “Capitalismo” estreou com o romancista THACKERAY, significando uma posse de grande quantidade de dinheiro, ou de Capital, sem menção ao Regime Econômico. Em 1867, PROUDHON (1809/1865, França) teve sua obra “Da capacidade política das Classes Operárias” publicada postumamente e nela o termo “Capitalista” indicava os “possuidores de Capital”, como uma Classe. Engels e Marx voltaram a usar esse termo, na forma de “KAPITALISTISCHE” e “KAPITALIST”, como a forma de “Produção baseada em Capital” e a de “um possuidor de Capital privado”, respectivamente.

Frequentemente o inicio do Capitalismo é associado com o fim do Feudalismo na Europa, no final da Idade Média. Porém, para alguns eruditos a noção de Capitalismo já constava no famoso “Código de Hamurabi (c.1780 a.C.)” e na Legislação das antigos tribos Judaicas. Para a maioria, no entanto, o inicio do Capitalismo Moderno começou com a “Revolução Industrial” e com a “Revolução Gloriosa (1640/1660)”, ambas na Inglaterra e com as “Revoluções Burguesas (quando as Classes Burguesas, já enriquecidas, não aceitaram mais o Poder da Monarquia)”, com a Revolução Francesa (1789/1799) e a independência dos Estados Unidos da América.

Foi, também, a época em que surgiram as primeiras Teorias sobre o assunto, dentre as quais se destaca a de ADAM SMITH (1723/1790, Escócia) onde ele afirmava que a busca individual pela riqueza e pela felicidade faria com que toda a Sociedade ficasse mais próspera e feliz (sic). Essa teoria foi exposta em seu livro “Uma Investigação Sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”, cuja publicação ocorreu na mesma época do nascimento do Sistema Político chamado de “Liberalismo”, o “braço político” da Teoria Econômica.

Geralmente o Capitalismo é dividido em cinco fases, conforme o quadro abaixo:

1. PRÉ CAPITALISMO – época em que a Produção, ou o seu excedente, já se destinava a trocas a não ao consumo imediato. O trabalho assalariado era raro, sendo que o indivíduo vendia o Produto de seu trabalho e NÃO o seu trabalho. Eram, em sua maioria, artesãos donos de suas próprias oficinas, ferramentas e matéria prima.

2. CAPITALISMO COMERCIAL – o artesão independente ainda predominava, mas o trabalho assalariado já vigorava com média intensidade. O lucro maior já ficava com o Negociante ou Intermediário e não com o Produtor.

3. CAPITALISMO INDUSTRIAL – o trabalho assalariado já vigorava plenamente, afetando a Classe dos artesãos. Evidencia-se a separação entre os donos dos “Meios de Produção (as ferramentas, as fábricas, o Capital etc.) e a Classe dos Trabalhadores.

4. CAPITALISMO FINANCEIRO – o Sistema Bancário e as grandes Corporações Financeiras passam a dominar o cenário e a controlar as outras atividades.

5. Na atualidade, o Capitalismo continua Industrial e Financeiro, mas incorpora o chamado “Capitalismo Informacional” que dá grande importância ao Saber, ao Conhecimento, ao Estudo, à Capacitação tanto do empregado, quanto do Empregador.

Aqui chegados, já temos um breve resumo da cronologia do Capitalismo. A seguir entraremos com mais detalhes sobre a teoria do mesmo.

TEORIA CAPITALISTA

O Capitalismo é um Sistema Econômico que se caracteriza por ter a “Propriedade Privada dos Meios de Produção”, um “Mercado Livre e aberto à Concorrência” e por ter a figura predominante em nossos dias, do “Trabalhador Assalariado”. Alguns estudiosos enfatizam a “Propriedade Privada” como a essência do Regime; outros enfatizam que é o “Mercado Livre” que proporciona o Movimento e o Acúmulo de Capital e que pela sua existência já se deduz a existência da “Propriedade Privada”. Atualmente é o Regime Econômico predominante em quase todo o Mundo. Mesmo na China (que aqui citamos nominalmente em razão de seu tamanho e do tamanho de sua população), onde ainda vigora um “Socialismo Político”, ele é uma realidade.

Contudo, essa predominância e até mesmo a sua existência, sempre teve ferrenhos adversários, sendo, dentre eles, o mais célebre o filósofo alemão Karl Marx. De acordo com a severidade de suas objeções ao Regime, Marx afirma que as relações entre os Proprietários e os Empregados, ou entre Burgueses e Proletários, é marcada pela exploração do Homem pelo Homem e mais particularmente, do Proletário pelo Burguês. Regime injusto, mas que deveria prosseguir até que se auto devorasse, pois a soma de todos os apetites aflorados, em certo momento, teria que se voltar contra os semelhantes haja vista que a escassez já imperaria graças ao consumo excessivo e irracional. Uma vez extinto o Capitalismo, o vácuo seria preenchido pelo Socialismo. (Recomendamos a leitura do tópico sobre o Marxismo e sobre os apêndices sobre Marx, Trotsky, Lênin e Mao Tsé Tung no final desse dicionário).

No outro lado, os Economistas favoráveis ao Capitalismo afirmavam e reafirmam que não existe exploração nenhuma, pois se o Mercado é Livre e Competitivo resta ao Trabalhador que se sentir explorado, vender a sua força de trabalho para outro empregador.

É claro que em ambos os espectros, de censura e de concordância, existem os dogmatismos tolos e as simplificações oriundas de raciocínios primários. Devem ser solenemente descartados por todos os estudiosos sérios. Porém, o simples fato de existirem esse dois lados já é um sinal de que o assunto é, no mínimo, merecedor de estudos.

Neste tópico, focaremos doravante apenas os eruditos favoráveis ao Sistema para não nos distanciarmos do assunto. Dentre tais eruditos, cita-se regularmente FRIEDRICH HAYEK que vê no Capitalismo a vantagem de ter a capacidade de se auto-organizar, dispensando a presença do Estado (sic). E o já mencionado ADAM SMITH que afirmava que a busca individual pela riqueza e pela felicidade resultaria na prosperidade e felicidade geral. Desdenhava da importância do trabalho altruísta de “servir ao bem comum”. KARL POLANY, ao defender Smith, ressalta que o Pensador descrevia o cenário econômico de sua época; fato que os críticos exploraram dizendo que Smith era tão tacanho que não soube prever o futuro (sic). Para POLANY, o Capitalismo é diferente do antigo Mercantilismo* em razão da comoditificação (de Comodato = empréstimo com prazo acertado para devolução de um Bem não perecível imediatamente) da terra e da moeda e da própria “mão de obra”. Fator fundamental quando a Produção industrial necessitou de investimentos de longo prazo que envolvia riscos. E aconteceu não por obra de um auto-ajuste do Capitalismo, mas através da intervenção do Estado. A esse respeito, Marx disse: “o Estado é de fundamental importância para assegurar o funcionamento do Sistema e os privilégios das Classes Dominantes”. Provavelmente em 2008 e 2009 repetiria seu conceito.

A teoria Capitalista e a sua prática, graças aos seus erros e seus acertos, produz comportamentos que ultrapassam a Economia pura. Se por um lado condena os menos capazes a uma vida de muito sofrimento, premia os mais aptos com boas perspectivas; sem falar, é claro, naqueles que se locupletam criminosamente de riquezas que não são suas. Mas, a bem da verdade, a existência de facínoras não é exclusividade do Capitalismo, portanto imputar-lhe tal culpa seria um erro grosseiro.

Dentre os debates sobre o Capitalismo alguns merecem maior atenção, conforme segue:

O Sistema é Real ou Ideal; isto é, já teria sido efetivamente implantado, ou seria apenas um sonho a ser concretizado? E se não foi implantado em que medida está vigorando: em 80%, 50% ou nem se aproxima desses índices?

O que diz respeito à questão de ser o Capitalismo identificado apenas com uma região, uma cultura, uma época; ou de ser Universal (ou a característica de ser para todos)?

O Capitalismo é puramente Econômico? Para Marx e outros é mais do que isso; é ou seria um conjunto de Instituições Políticas e Econômicas que domina as relações sociais, éticas e culturais.

Observa-se, pois, que são variadas as questões que cercam o Sistema, mas uma certeza é possível: o Capitalismo é o Sistema, tanto Político quanto Econômico, que mais se aproxima da natureza (do jeito de ser) do Homem. Reflete em graus variados o que ocorre entre os outros animais submetidos pela “Lei da Selva” onde impera o mais forte. Lembremos sempre que o Homem é parte da Natureza e age conforme as suas regras; embora, é claro, muitos tentam suavizar tais condições e situações. E é certo que com o avanço contínuo da civilização, alguns conceitos vão se tornando inerentes ao Homem e hoje, por exemplo, considerar a Escravidão como uma forma legitima de obter mão de obra, nem passa pela imaginação de todos os Homens sérios. Também há que se considerar os esforços de todos os bem intencionados que lutam para disciplinar o Capitalismo, tentando evitar o exagero na exploração de outro ser humano, e na própria ganância individual à custa do bem público. Desses se pode dizer que: se seus intentos, à primeira vista, parecem inúteis, olhando-se para um século atrás já se vislumbra o quanto se avançou nesse sentido. Apesar dos pesares, a vida de um Operário inglês, por exemplo, é muito melhor do que foi há cem anos e o mesmo, em graus variados, pode-se dizer do restante da população.

Por fim, abordaremos o chamado “Consenso de Washington” que mais que estipular normas, conselho e regras, traçou uma Filosofia Política, na medida em que orientou o modelo de vida dos Homens atingidos pela alteração.

No final do século XX, os EUA e a Inglaterra começaram a difundir a “Teoria Neo-Liberal” que pregavam ser absolutamente necessária, para evitar futuras crises. Na prática, as seguintes medidas deveriam ser tomadas:

a. Privatização (ou venda para o Setor Privado) das empresas Estatais que pudessem ser vantajosamente substituídas por similares pertencentes a Indivíduos ou a Grupos particulares.

b. Aperto fiscal para minimizar – e se possível extinguir – o Déficit Fiscal (quando o gasto do Governo é maior que o valor que arrecada com Impostos, Taxas e Contribuições etc.).

c. Controle na emissão de papel moeda para se evitar a todo custo a inflação. Atenção: não confundir o conceito Inflação, com Carestia. O aumento de preços é uma conseqüência da Inflação e não o seu sinônimo.

d. Cambio flutuante; isto é, as moedas fortes (por convenção são o Dólar americano e o Euro, europeu) terão o valor que o Mercado apontar. Valor que é calculado a partir da regra da “oferta e procura” e das projeções feitas para a Economia no Futuro, além, é claro, da solidez econômica do país em que tais negociações são feitas.

Tais diretrizes passaram por testes severos e em certas épocas, como 2008 e 2009, mostraram-se incapazes de solucionar os erros e as falcatruas que o “Mercado” comete. Comprovou-se, aliás, que o “Deus Mercado”, embora importante, não é infalível. Contundo, mesmo com todas as deficiências apontadas e comprovadas o Capitalismo é o Regime Econômico mais utilizado no Mundo. Particularmente nesses tempos em que a “Globalização” permitiu a ampliação do comercio e demonstrou que o Sistema, em si, é capaz de ser transcendente aos interesses nacionais. Para o Bem ou para o Mal.

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sábado, abril 3, 2010 - 13:20

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