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"Na Porta Daquela Cerejeira" 6ª história do livro: "Estrelas Apagadas"

"Na Porta Daquela Cerejeira"

U
m dia, ao passar naquela rua, vi a cerejeira, solitária: Continuava imóvel, simples, tal como a terra a germinara. Olhei o céu em toda a sua glória e todo ele sorria para mim, como que dizendo: “ – Sim... Estou a ver-te”. Lembrei-me de como (ele) respondia às perguntas cegas, que, todos os outros, mais eu, lançávamos. Recordei; quando em frente àquela sardenha morava. Ali; no mesmo lugar, tivera sido aprisionado pela beleza das suas vestes floridas: “Milhares de braços, despidos de folhagem, de pele lisa; não se deixando acariciar pelas verrugas, que, espalhadas por todo o corpo, rebentavam a sua carne interior: Repuxando-a para fora, numa greta cheia de rachaduras; gretando e rasgando-se; deixando florescer a carne que se cobria de pequenas pétalas, púrpura. Projectando aos meus olhos a imagem sagrada do conhecimento e o verdadeiro caminho pelos trilhos do amor... Do verdadeiro amor.” Senti um desejo enorme de levar um pedaço daquelas flores comigo; para casa.
Um profundo, dentro de mim, subiu ao desejo de quebrar e lembrei-me: “ Aquela carne, só para meu único prazer: Satisfazer caprichos a mim próprio... Agarrou-me pela sensibilidade e retirou do meu pensamento, todas as lembranças do intento e novamente senti a paz. Em verdadeira tranquilidade, retirei-me com uma vénia, tirando, da cabeça o chapéu que nunca possuí; senti-me como se algo, descobrira a minha cabeça abrindo um canal de energia, invisível; apenas quando vincava, entre mim e um ser qualquer que, dela, me preenchia: Enchendo-me de um culto qualquer, temeroso, como, poder estar ali ou simplesmente não estar; algo poderoso, resumido no respeito por todas as coisas.
Lembrei-me daquelas pessoas que entram na nossa vida, dizendo que nos amam e saem dela deixando a nossa alma num inferno e muito se sofre para sair de lá, quem sai.
Fui para casa com os sentimentos adormecidos. Apaixonado pela vida, agarrei no manúscrito, em que trabalhava, começando a escrever; abrindo portais, cavalgando nas asas da imaginação... Quando, lá do fundo do meu horizonte, ecoava por todo o firmamento, pressenti algo que me chamava, como que se o mundo, onde eu vivia, de qualquer forma estivesse em perigo, chamando-me há realidade: Batiam na minha janela, como quem canta uma melodia conhecida; levantei-me e fui espreitar, desviando as cortinas; era dia e, o céu acendeu-se de branco; cegando-me. Rapidamente me devolveu a vista; para meu espanto: Não chovia! Caíam pedras de gelo, do céu: Cristalizadas, fortes e zangadas: Batiam nos vidros, caíam na relva; mesmo ali, em frente, parecendo que, ao verem-me, tornavam-se mais violentas e ricocheteavam na relva: Saltando, fulas, em direcção ao meu rosto; para morrerem no vidro da janela, aonde, eu colocara a palma da mão, aberta: Para falar ao Senhor.
Vi como a violência destruía as flores. Olhei o céu, roto, perdendo cristais em favor do vento, deixando que o demónio colhesse o seu tributo como pagamento da sua permanência pela terra. Então, perguntei ao céu, se ele não via o que estava a fazer... Estragava as coisas belas, tenras, florescendo no meio de tanta frustração e cegueira! Lembrei-me dos verdadeiros miseráveis que andrajavam tal e qual os outros, os falsos, miseráveis que acabavam por ser miseráveis e a miséria atacaria a miséria por algo que já lá estava: Conquistando a miséria de um buraco regado por lágrimas miseráveis, lágrimas da descendência dos rios da miséria; olhando o pedaço miserável do buraco, onde miseravelmente, outras misérias tiveram tido um mísero fim no miserável buraco onde na verdade herdam a miséria que miseravelmente distribuem pela miséria de toda a miséria.
Como resposta, o céu abriu um clarão poderoso, que não rugiu, não penetrou as entranhas da terra, mas desabou dentro de mim, enchendo o meu consciente de temor: Recuei um passo, deixando as cortinas abertas: «Meus olhos baixaram-se ao Supremo e rastejaram como as cobras, para fugir ao clarão vermelho que saía do branco, que, se eu olhasse, desabaria toda aquela fúria no resto da minha vida, sem os olhos que viam as coisas, tão simples: Todas elas brilhavam, dentro de mim.
... Oro à brandura dos segredos, no coração do Homem.
... No meu coração, as flores andam sedentas e nada mais, de vós, para as saciar...
- O amor está confundido; (materializado) com a cobiça no umbigo, a mandar.
Aquela luz me alegra e não me deixa que as flores morram dentro de mim, nem mesmo que as próprias flores se façam matar!
O céu chora; eu bebo das suas águas, “insonsas” sem o sal do suor do mundo, que, os olhos andam a regar.
- Perdoa o filho que se aventura, pois que ele vai quebrar...
Perdoa o ousado, venerado pelo silêncio, que não ousa, mas te aclama por todo o lugar; perdoa o galardão, que, o teu filho dispensa em prol de mais um sonho, que o tempo não acaba para começar; perdoa o atraso dos compromissos, que, tu: Sabes que vais cobrar.
Simplesmente: Mata-lhes a sede; que o sangue da tua carne, chora na terra com os gemidos crespados na esperança do mar...
- Os Santos pedem-te que sejas brando com os segredos do coração dos Homens.
*
“ Confessam-me diante dos homens mas, também o nosso irmão os confessará diante do Pai”.
- E... Aquele meu irmão que me apunhala pelas costas, neste mundo, também a ele o denunciará, no meu leito, onde os espinhos vão repousar.
*
Um eco, do inconsciente, gritou por mim e chamou: Que me dobrasse; porque o meu mundo ainda não estava ocupado... Eu teria ainda muito que lá plantar: A sensibilidade era o único alimento para todas as coisas que nele criara; ali eu era o deus de todas as coisas e passeava por lá alimentando a minha imaginação como se isso não fosse nada... O meu fundamento não era de Homem nem de mulher, entre todas as coisas, era, apenas, o de semear, semear no ar de todas as coisas: O quão enorme significa o amor; o verdadeiro amor. Sem coragem para abrir totalmente os olhos – O temor apoderara-se de mim e, enquanto esperava que o céu desabasse com um urro benzi-me: Visualizando a cruz iluminada, vergando-me ao todo o poderoso e à forma de como ele me falava... O respeito é assim uma coisa valiosa, tão valiosa como todas as outras coisas valiosas, que, lentamente, se unem e não protestam: Aceitam.
Percebi, que, todas as coisas têm uma razão de ser, todas as coisas podem ser como as quisermos ver e não precisamos de ser como as vemos; basta sermos como somos e vê-las em todas as formas, como na verdade o é: Muitas das coisas que vemos, vemo-las porque estão dentro de nós; fazendo parte, de uma parte qualquer do corpo... Aconteceu que voltei a sentar-me e da costas do sofá, virado, fiz uma secretária e... Apesar de ter uma escrivaninha com máquina de escrever, do século catorze: Eu escrevia próximo da mesa, onde tinha o cinzeiro, uma onça de tabaco, um livro de mortalhas para enrolar os defuntos; que enterrava no cemitério, espojado, naquele pedaço, plano, de mundo; por onde trespassavam meus olhos até à mais distante dimensão glaciar, imaginária, abrindo novos portais; que não podia, ainda, explorar... Não! “Enquanto o amor não frutificasse há minha volta... Não podia para tão distantes mundos viajar . As flores embalam o sonho e cantam hinos de glória. Os sorrisos são enfeitiçados e carregam-me até ao portal, onde, o sonho promete acabar.
Então, voltei a mim e, aquela cerejeira dera o seu fruto aos passarinhos, para os alimentar... Por cima dela, o céu sorria em todo o seu esplendor... Compreendi. Aceitava o ciclo de todas as coisas; Uns que terminam na nossa permanência, outros, simplesmente, continuam o seu ciclo de vida, ou, forma de tal.
A magia acorda o sonho e não desiste; quer comandar: Só para que eu próprio tenha tempo para amar.
Fim

 

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segunda-feira, dezembro 20, 2010 - 03:06

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antonioduarte

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