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Pensarás?
I
Pensarás, por um momento
Como eu já pensei em ti,
Ou pensas que nem eu penso
Que nem tu pensas em mim...
Pensarás que eu nem penso
mas penso, sem pensar em ti,
Num pensamento em que não penso,
Por não poder pensar em ti.
Não havendo assim em mim
pensamento algum por ti
pensarás que eu não penso,
cada vez que penso em ti.
Livre do pensamento e de não pensar em ti,
penso, por um momento,
que em ti penso, sem querer,
por não querer pensar em mim.
II
À parte
Por fim sós,
meu amor,
neste mundo abandonado!
E agora que poderia ter-te só para mim,
sem fingir suportar
os olhares da inveja
perante tal entrega,
Já não quero,
Uma ruína assim,
Não te quero ver
nem que me olhes !
Sou impura e perdi o teu amor
Quando me vi,
Sózinha,
frente a ti.
III
A árvore
Amiga sedutora, vou embalar-me no teu regaço,
Aninhar-me no teu ventre e sentir o teu abraço,
Quando puder, permitir-me a tal sossego,
Conceder-me um minuto que não seja de cansaço.
Acederás a meu pedido se algum dia o formular?
Sentirás o meu querer e virás para me mimar?
Quererás ser assim a raiz do meu viver,
O meu alento, o meu ar e o meu sustento ?
Belas palavras te direi
virão de livros sonantes!
Já falaram em ti, musa
frases de poetas cantantes!
Nada tenho para te dar
A não ser meu próprio corpo
E a certeza de te amar
Mais do que seria de louco!
IV
A Flor
Que belos ramos,
de laços entrelaçados...
Quantos anos tens de velha, linda árvore?
Como és, realmente, bela,
To digo eu, que sei tudo da beleza
e nem sei a tua idade!
És serena e importante,
Imponente, um pouco altiva
Invejo-te o porte elegante
As rugas de sabedoria.
Tenho uma vida tão curta
Não posso parar a pensar
Na beleza tão vetusta
Que demonstras ao passar!
Nada temes, nem receias
nem morte nem sofrimento!
Pois eu sou frágil ao ponto
De nem um dia durar.
V
A votos
É ano de eleições, vejam senhores, a passar
Em cortejos coloridos, é vê-los a descerrar
Placas de nomes sortidos
E a beber até fartar!
Bem o sei que é como vos digo
Pois nem escrever já consigo
uma frase a direito,
que soe em verso escorreito.
Rima mais pobre que esta
Só na música pimba
Isto, se houver uma festa
No largo da terra vizinha.
Desde hospitais a hospícios,
Escolas, jardins e lares,
Novas placas e frontespícios,
Tinta ao sol a rebrilhar!
Do interior, as notícias
Chegam em catadupas
Novas vilas e cidades
Todas juntas, já são muitas!
Até a mula que era russa,
Já ganha mais do que nós,
É, certamente,castigo,
Por não querermos ser espanhóis,
Com farturas e couratos,
Versejamos a rigor,
De tretas já estamos fartos,
Vá à merda, ó seu doutor!
VI
Lamento
Aquele estado semi-hipnótico em que um dia
Me vi de fora do meu corpo e vi,
Tal e qual como era, mal vestida e despenteada,
Desnorteada pela falta de não ter acordado mais cedo,
Logo naquele dia entre outros
Em que a vida só, aparentemente,
teria recomeçado, se parasse...
Talvez me tivesse vestido melhor,
Apropriadamente, para a ocasião,
num dia apenas, após um outro
Enfileirado entre tantos,
É que lamento ter sido espectadora,
e ter ficado, parada, a ver a vida passar
entre bipes e a gota certeira da garrafa de soro
mecânicamente, a pingar.
E eu a ouvir do meu lugar.
Fútil ficção do terror
Em que a realidade visível,
Ultrapassa, cruamente,
aquilo que pretende representar.
Ao canto chegam ecos de lamentos,
Palavras soltas em múrmúrios
Roucos por baterem em muros
Ressoam de novo, cada vez mais!
Fortes ganas de tapar, calar, atar,
Aquele tambor aflitivo que, impiedosamente,
destrói-me a vida, a escrita e o juízo,
e aqui fico, sempre à espera de acordar.
VII
Curriculum Vitae
Depressa, depressinha
Cama bem arejadinha
Lava, seca e pendura,
Olhó lume da cozedura!
.E Cá estou eu, casamenteira,
Ou melhor, sabedora e conselheira,
de solteiros e afins...
Assuntos de ordem caseira
Não têem segredos para mim,
mestre em artes diversas,
Literaturas,
bem como em sopas e pudins!
Primo na organização
com firmeza e precisão,
segundo acho fundamental,
atitude personalizada
ao pressionar o botão!
Sempre de bom modo,
educada e de bom trato
o porte não será elegante
mas o asseio é atavio que baste.
Miudezas à parte
Há lá profissão mais bonita
Que esta de senhora da casa
Doméstica e especialista!
VIII
O Desacordo ortográfico
Espelho mágico, espelho meu,
Haverá alguém mais tolo do que eu?
Nesta côrte a que pertenço,
melhor soa o zurrar
Que a língua da filha latina,
Em lágrimas, olha p’ro mar!...
Em resposta à redondilha,
Mas em jeito de improviso
Temos a falta de siso
de estarmos sempre de acordo.
Calai-vos todos, senhores
Ao som da trombeta final
Que saia quem não é da cena
Ouçamos quem nos vem falar!
CORO:
Pena, tenho eu da galinha
Sem pescoço e sem pelinha
Que muito sofre, coitadinha,
Por nem se poder queixar!
De Todo o novo Crescer
brota uma nova Emoção
A Dor aguça-Te a Vida
custando talvez a Razão.
IX
Vamos todos trabalhar lá para a Rua de S.Bento
Alegres,
cantando e rindo,
lá vamos nós trabalhar!
Coitado do Zé Povinho
Sempre tolo, coitadinho,
Ele aí vai!
Muita sorte temos
Em não ser aleijadinhos
Coitados dos pobrezinhos
Que vivem debaixo da ponte.
Sem casa e sem abrigo
Algo fizeram de perigo
Pois mereceram um castigo
dos piores de suportar!
O Ministro bem o disse
que era simples de entender,
ou pagam o que devem
ou vão mesmo sofrer!
Quem avisa o seu amigo
É porque lhe bem quer,
ou seja,
O surdo não é demente
Sofre apenas e somente,
Por ser duro de ouvido!
Moucos parecem os burros
E não é por serem surdos
MAs tão só por serem teimosos...
X
A Boneca
Quando penso, displicente,
se
fosse a vida um carrossel
E eu algum brinquedo
Esquecido na pressa de menina teimosa,
Que boa seria essa súbita liberdade
De poder descobrir um novo mundo
a cada novo passo que desde logo desse!
Assim que soubesse andar.
Mas cedo aprenderia
que não havia novo mundo.
Eu é que nada sabia, nem deste nem de nenhum.
E por aqui me fico
Sem jeito para improviso
Nem sequer para me despedir
Seja lá de quem fôr.
Cumprimentos e louvores
São lisonja fácil
podem soar enganadores e
por nunca nada estar acabado
Mas apenas começado
desde já lamento ter esquecido o nome do autor.
OUTUBRO/ 2009
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