Requiem

Regressa a casa . A fadiga é insuportável. Redes sem elasticidade nas penas cansadas. Senta-se ao piano e solta a voz. Num grito de desespero.

É o piano desafinado, numa melodia incontrolável.

Sabor a morango, do qual só aprecia o aroma. Cerejas no vermelho dos lábios a disfarçarem o amargo dos medicamentos. As nêsperas são mais doces quando descascadas por mãos alheias. Inverte-se o olhar numa caminhada singela. Hábito de dor. Levanta-se, abre a janela e debruça-se no parapeito numa espera de Verão. Mesmo sabendo que a Primavera não aconteceu. O calor sufoca as nuvens dos olhares embaciados. Mergulha no sonho e com o coração a palpitar atravessa indiferente a tarde desarrumada no peito.

Numa espera de quem não sabe aguardar.

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Wednesday, September 16, 2009 - 01:40

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AnaMar

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