FRAGMENTOS DRAMATICOS - O R I G I N A E S – I

EULALIA

Ou

A V I N G A N Ç A DE A M O R .

(TRAGEDIA)

SCENA ULTIMA

EULALIA

Quer ante os olhos teus morrer Eulalia,
Ao pae quer abraçar-se a terna filha
No momento final: contente expiro,
Ao vêr-te é para mim suave a morte;
Teu odio, teu furor já se applacaram,
A justiça real salvou do opprobrio
A misera innocencia, e tu deploras
Do meu querido amante o fado acerbo:
Honra a memoria sua, e co'a saudade
Minhas cinzas consola. Arnaldo!... Arnaldo!...
1 Crava-lhe de repente um punhal. 2 Cáe. 3 Pertencem ao quinto acto, creio que na penultima scena.
(Notas de Pato Moniz).
Eulalia vai no céo, na gloria amar-te,
Vai longe d'este horror viver comtigo:
Acolhe a tua... oh Deus... perdão, piedade. 1

JAIME

Filha, filha infeliz !... Que dôr! Que trance !
Ah! Triste, eu não fui pae, fui verdugo...
Junto ao cadaver teu me puna o raio. 2

MATHILDE

Dos phrenesis de amor que amargo exemplo !
Quantos males comsigo arrasta o crime ! 3

1 Morre.
2 Desfallecendo abraçado á filha.
3 Isto são pertenças ou accrescentos da ultima scena.

N. B. — Á excepção da primeira falia, tudo mais achei lançado
em oitavos de papel, prova bastante de que eram accrescentamentos
ou emendas aos logares a que pertenciam: d'estes
mais podéra apresentar; mas como de per si valem pouco,
pois que se ignora a sua ligação, contentei-me de colligir o
que basta para demonstrar a verdade da minha asserção, relativa
ao acabamento d'esta tragedia, que, sem duvida, era
um grande abono para os creditos de Bocage.

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Sunday, November 1, 2009 - 18:12

Poesia Consagrada :

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