ATÉ QUE AMANHEÇA

Não percebi que fiquei por horas aqui absorta a contemplar o nada. Meu pensamento estivera em uma outra dimensão. Ontem tu estavas aqui, sentado neste mesmo degrau. Algo dizia que aquela noite seria a última. Como um presságio... Respiro fundo agora e tento, por um segundo, esquecer.

Como?

Ensina-me a arrancá-lo do meu corpo.
Ensina-me a abortar essa dor que lateja dentro de minha alma.
Mesmo que eu sangre até morrer.
Mesmo que eu chore um oceano.

Por quanto tempo isso é suportável?

Está anoitecendo, meu amor. Sinto-me presa dentro de mim mesma. E não consigo chorar. Não consigo fugir.

E está anoitecendo... O desespero de saber que outra percorrerá os caminhos que só pertenciam a mim. Eu sabia o percurso. Conhecia os atalhos. Ela compatilhará contigo o amanhecer que ontem foi nosso.

Está anoitecendo.

Não me importo em acender as luzes.

Que tudo fique na escuridão.

Eu não saberia mesmo reconhecer as cores sem tê-lo por perto.

E que eu continue aqui neste degrau.
Até que amanheça.

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Sunday, March 7, 2010 - 21:48

Ministério da Poesia :

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