Monólogo do morto
Esta manhã amanheci pretérito,
sem mãos para agarrar a vida diária,
sem pés que me conduzam para o mundo
nem pálpebras que abram as auroras.
Não tenho que ordenar cosmogonias.
Amanheci caótico e silente,
sem o dever de consagrar absurdos.
Aranhas tecem teias nos meus dias.
A morte é um relógio sem ponteiros.
Há um território exíguo em minhas vértebras
onde um fantasma construiu castelos.
Não vai o sangue apregoando urgências.
Não há a memória de ter sido amado.
Esta manhã amanheci sem alma.
Submited by
Thursday, May 5, 2011 - 21:05
Ministério da Poesia :
- Login to post comments
- 1756 reads
other contents of Tania Alegria
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/Sonnet | Reparte-as o vento | 0 | 602 | 05/02/2011 - 22:38 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Sonnet | Evangelio de exorcismos | 0 | 715 | 05/02/2011 - 22:34 | Portuguese |
- « first
- ‹ previous
- 1
- 2
- 3






Add comment