Monólogo do morto

Esta manhã amanheci pretérito,
sem mãos para agarrar a vida diária,
sem pés que me conduzam para o mundo
nem pálpebras que abram as auroras.

Não tenho que ordenar cosmogonias.
Amanheci caótico e silente,
sem o dever de consagrar absurdos.

Aranhas tecem teias nos meus dias.
A morte é um relógio sem ponteiros.

Há um território exíguo em minhas vértebras
onde um fantasma construiu castelos.

Não vai o sangue apregoando urgências.
Não há a memória de ter sido amado.

Esta manhã amanheci sem alma.
 

Submited by

Thursday, May 5, 2011 - 21:05

Ministério da Poesia :

No votes yet

Tania Alegria

Tania Alegria's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 14 years 29 weeks ago
Joined: 05/02/2011
Posts:
Points: 156

Add comment

Login to post comments

other contents of Tania Alegria

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Ministério da Poesia/Sonnet Reparte-as o vento 0 602 05/02/2011 - 22:38 Portuguese
Ministério da Poesia/Sonnet Evangelio de exorcismos 0 715 05/02/2011 - 22:34 Portuguese