PELOS CACOS DA POESIA

Pelo ar do poema
vão as pegas viradas ao avesso.
Da palavra, o dizer é acesso em fogueira.

Pelo pé da musa
vai nervo da essência do verso.
Troco infinito. Poiso de cópulas eternas.

Na cabeça do poeta vai o novelo do pensar.
Emaranhadamente clandestino. Menino incerto.

Nas mãos da página
vão os suores infrutíferos do destino.
Arrepios de vida… contra imposto morto.

Entrelinha em vão.
Arrependimentos embaralhados
sobre uma mesa de lugares barbados.

Cova escavada ao de leve,
língua atracada numa lápide.

Aos olhos do tempo, o mar é subatómico.
As rugas são daltónicas.
O sol é música.

Rol de olhares corriqueiros.
Canaviais à beira de um rio de sorrisos.
Rosas em prosa pela bossa minguante da lua.

Dança nua que se arruína,
dama que se doma confrontada ao beijo.

No corpo do poema
vão as vírgulas caladas pela calada da noite.

Inspirações vestidas de noivas.
Letras inconcluídas, paridas a monte.
Serpente inócua à espera do verão que as possua.

Na voz do título
vão os dedos do ser que apontam acontecer.

O antes do amor… o depois do ódio.

Pelos cacos da poesia
vai o apogeu do agora em caos.

 

 

 

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Miércoles, Marzo 21, 2012 - 18:48

Poesia :

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Henrique

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