Meninos Carvoeiros (Manuel Bandeira)

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
- Eh, carvoeiro!

E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.

A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que
os recolhe, dobrando-se com um gemido).
- Eh, carvoeiro!

Só mesmo estas crianças raquíticas.
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis.
- Eh, carvoeiro!

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarrapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas,
Como espantalhos desamparados!

Manuel Bandeira, poeta brasileiro.

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Miércoles, Abril 25, 2012 - 10:53

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