Os renegados

  Cortaram-me os pulsos
Cerraram-me os dentes
Embargaram-me a voz
Mutilaram-me os membros
Castraram-me o sexo
Roubaram-me a cidadania
Os direitos, o prazer de viver

Nunca me foram sequer cobrados deveres...
Joguei a licenciatura pela janela fora
Nunca me serviu rigorosamente para nada
Sobrevivi  à margem da sociedade
Engrossei as listas da precaridade

Hoje, sou velho para uma oportunidade
Um homem que arrasta a sua existência
Condenado à apatia dos alienados
Inadaptado, desenquadrado
Nem estatuto de desempregado tenho

Afinal, quem é que eu sou?
Pouco mais que um indigente
Profissão: Pela Pátria, renegado!

 

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Miércoles, Junio 20, 2012 - 21:04

Poesia :

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Nanda

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Comentarios

Imagen de Teresa Almeida

Dói muito o país no teu poema

Dói muito o país no teu poema e nos peitos feridos dos renegados.

Que não se calem os poetas!

Grande abraço Nanda.

Imagen de marialds

Comentário.

Lindo o poema acredito ser o lamento mundial de todos os cidadões de bem injustiçados pela estrutura social decrepta que todos nós vivemos.
Um abraço.

Imagen de Henricabilio

Num mundo de injustiça e

Num mundo de injustiça e injustiçados
fazem cada vez mais sentido
os textos de intervenção
- As palavras não podem permanecer indiferentes.

1 abraç0o!

_Abilio

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