QUE MEUS OLHOS SEJAM LEOPARDOS …

Na minha lápide não quero letras,
quero altifalantes.

Que o meu caixão seja um barco,

um caixote de dizeres andantes
pelo charco de uma noite mais que enorme,

onde a morte não dorme,

como aceso archote de adeus
pelas artérias da eternidade… casa de saudade.

Que a minha sepultura seja

uma rápida pressa,
um buraco do tamanho do universo,

uma loucura seja,
um poema onde a paixão é fogo em verso.

Que a minha última roupa seja
a mais nua das inocências com que nasci,

e os meus pés calcem sapatos do quanto vivi.  

Que a escuridão de luz se rabisque,

e o meu olhar sem supores vos pisque
como faúlhas a luzir das esquinas do infinito.

Que as minhas palavras sejam um rio,

um frio que causa arrepios no pensar,
um despiste insano pelo silêncio,

uma mão que esbofeteia a solidão,
uma candeia sem coração,
uma teia rota.

Que o correr do tempo se encrave
em sonos que o amor acordou e trave
a metamorfose que tece o corpo em ossadas e pó.

Que a verdade castre os cardos.

Que meus olhos sejam leopardos.
.
.
.
.

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Viernes, Febrero 15, 2013 - 23:02

Poesia :

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Henrique

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