E da boca caem palavras azedas

Ocorre-me que esta brisa
podia não ser ar  em movimento.
Apenas a perceção de ondulação
nos elementos entelados
como hastes curvadas para o chão
que secou as raízes de vontades
e mesmo os ventos da mudança.
Pinturas. Estilizadas ou não.
Minimalistas. Mas em liberdade pinceladas.

Da boca caem palavras azedas.
Nos silvados não as colho,
dilaceram estes dedos enlutados.
Não os vejo, agrilhoados na prisão
de um ventre que já não
engravida filhos com sonhos.

Leda de tempos passados,
vividos nas asas dos pássaros
que sentia em ombros leves.
E partia. E voava.
E pregava nos amanheceres.
E atardava os entardeceres…

A memória é o que resta
da perceção de um eu.
Contudo serei sempre fiel
à História da verdade.
não a histórias de cordel.
Daquelas que continuam a contar,
toadas, em tempos de antena
fazendo do meu Abril
apenas uma farsa, uma data…

Já nem as telas são figurativas.
Os cravos desbotados
partiram. Emigraram.
Fiquei eu e outros,
Pássaros de voos penhorados…

OF - Foto em http://portate-mal.blogspot.pt/

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Viernes, Abril 25, 2014 - 00:28

Poesia :

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Odete Ferreira

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Comentarios

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Para deborabenvenuti

Obg, querida...
Talvez por isso haja o poder da palavra...

Bjo :)

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E da boca caem palavras azedas

A verdade sempre existirá enquanto a memória for capaz de perceber o que os outros talvez nunca percebam.
Abraços

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