Embriaguem-se PORRA…

Embriaguem-se, de orgulho puro, da quilha à proa, de estandartes retalhados
Embriaguem-se de verbos duros , como se fossem mortalhas de curtumes,
Embriaguem-se lá fora, no beco, na rua, embriaguem-se… “porra”,
Embriaguem-se com a alegria, das crianças, mesmo sem côdea e sem tecto,
Embriaguem-se e, se porventura pensarem perder–se da razão
Embriaguem-se repetidamente até que de novo se encontrem , nos olhos chãos,
Dos inocentes, nos bairros pobres ou dos lunáticos e utópicos.
Embriaguem-se da vergonha vesga e da solidão, dos nossos subúrbios cercos,
Nos Ghettos da gentalha, nas mantas dos sem-abrigo, aos milhões,
Embriaguem-se, em noites de estrelas roxas e ideais barbudos.
Incendiai, segai pavios, dai às mãos dos gentios, a metralha,
Embriagai-vos de liberdade e que as vossas mães derrotadas jamais sejam violadas,
Nos trabalhos mal pagos, nos degraus dos parlamentos e das opressões,
Nas arcadas dos ministérios, das esquadras, dos grilhões
E das algemas, encerrem as masmorras com as pedras arrancadas na calçada.
Embriaguem-se, contra as governações, testas de ferro
Dos saqueadores e da corrupção, da escuridão e do medo,
Contra os ferozes e os algozes de serviço, dos gordos coronéis,
Destes reinos beras de genocidas a soldo, bem mais que os cruéis,
D’outrora, embriaguem-se e cantem, excluídos e esfolados,
D’agora, cantem sem descanso, até caírem pro lado,
Enquanto bebem, o vício de serem livres, em lugar de acossados,
Por crime d’ajuntamento, até caírem os ferrolhos e as paredes dos cruéis,
Dos bancos, com capitéis d’ouro e caixas fortes, dele acumulado,
Quando acordarem, por fim, os perros dos arrecadadores, será tarde
A bebedeira será global e… transmissível,…soará a corneta
Dum tempo novo, fundado plos bêbedos, deste mundo esguelha.
Pois que vertam, sangue e vinho, na sarjeta e no soalho nobre, do rico…
Embriaguem-se Porra…EMBRIAGUEM-SE …
Jorge Santos (12/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
Submited by
Ministério da Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 2768 reads
Add comment
other contents of Joel
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/Aforismo | não tarde | 0 | 8.970 | 11/19/2010 - 18:16 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | fecha-me a sete chaves | 0 | 7.627 | 11/19/2010 - 18:16 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | inventar | 0 | 11.099 | 11/19/2010 - 18:16 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Dedicada | professas | 0 | 10.993 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | amor sen'destino | 0 | 17.620 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | andorinhão | 0 | 11.084 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | sentir mais | 0 | 9.774 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | palabras | 0 | 13.823 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | A matilha | 0 | 12.160 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | ao fim e ao cabo | 0 | 8.671 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | o bosque encoberto | 0 | 10.370 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | nem teu rubor quero | 0 | 8.668 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | em nome d'Ele | 0 | 12.178 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | Troia | 0 | 11.545 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | desabafo | 0 | 13.599 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | Inquilino | 0 | 16.274 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | Pietra | 0 | 18.246 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/Aforismo | não cesso | 0 | 12.163 | 11/19/2010 - 18:13 | Portuguese |






Comentarios
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Embriaguem-se,
Embriaguem-se, contra as governações, testas de ferro
Dos saqueadores e da corrupção, da escuridão e do medo,