Os poemas possíveis (José Saramago) *
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
* José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
Se a morte fosse um bem, os deuses não seriam imortais... (Site Vila Constância).
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Sábado, Junio 19, 2010 - 01:17
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Comentarios
Eu sou. Mas o que sou tão
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Re: Os poemas possíveis (José Saramago) *
Lindo e bela homenagem !!!
Abraços
Susan