Vaca Dourada *
Filas retorcem-se
em torno da vaca dourada.
E expremem,
e lambem,
e tremem,
e nada da gosta esperada.
E a fila cresce,
e a multidão berra pela vaca dourada,
surda por conveniência e aventura.
Homens,
mulheres,
crianças,
e multidões nada conseguem com este nó
em torno do corpo da vaca dourada,
que não sente a sede do povo,
mas, sabe que, pouco a pouco, a fila aumenta
e põe em risco a sua reserva de ouro e poder.
* Série de Poemas manuscritos nos anos 70, período da ditadura militar no Brasil, por um jovem poeta Anônimo.
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Miércoles, Agosto 25, 2010 - 23:41
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Comentarios
Vaca Dourada
"... e multidões nada conseguem com este nó
em torno do corpo da vaca dourada,
que não sente a sede do povo,
mas, sabe que, pouco a pouco, a fila aumenta
e põe em risco a sua reserva de ouro e poder."
Esta estrofe sintetiza a revolta latente que ninguém vê e não sabe se sente, pois é, pra que? Letra do saudoso Sidney Miller, músico que tirou a própria vida durante o período da ditadura no Brasil, período em que esses versos foram escritos.