Apenas uma luz...

Um clarão rúgido percorre todo o mar
Repentino, tingindo-me o alvo peito
Um clarão vida nesta sombria vigília

Vejo numa dispersão um bando de pássaros
Que festivamente comemoram a nova aurora
Para eles tudo é novo, "neo vitalis"

O mar jaz agitado e suas ondas...
Ah! Ondas quebradiças, múltiplas
Umas quebram aqui, outras acolá

E o farol que recebeu os raios do último luar
E que embevecido contemplei
a nesga de luz que sobre si caiu.

Ah! Como tudo está diferente
Procurava uma luz para guiar-me
Encontrei-a mas minhas pupilas puntiformes não a vê

Quisera eu fosse um navegante, ou um mero pescador
Para correr ao encontro da ofuscação
E ficar cego a ser lúcido nesta distância

O sol quase atinge o farol
Sua luz forte em pouco o encobrirá
Não é preciso mais esta luz artificial

Nada melhor que o natural das coisas
Deve haver o saveiro para o pescador e não para o sonhador ...
Que se atira ao léu à procura do nada

O céu está todo enevoado
O astro rei como que sai da janela onde espiava a paisagem
Talvez não seja um bom dia para sair
Pois não cobrirá toda esta hemi-esfera

Mas, nada, pior que a indecisão
É melhor tentar pois o frio acomete muitas almas que estão a esperar...
Quem sabe por um dia de luz, de calor...

AjAraújo, o poeta humanista, escrito em maio de 1975.

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Miércoles, Septiembre 8, 2010 - 19:42

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AjAraujo

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Apenas uma luz...

Mas, nada, pior que a indecisão
É melhor tentar pois o frio acomete muitas almas que estão a esperar...
Quem sabe por um dia de luz, de calor...

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Apenas uma luz...

O poeta se debruça sobre um dos dramas humanos, a indecisão e a busca da luz para seguir o caminho, tendo o mar como grande fonte de inspiração. 

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