“Onde teus olhos tropeiam”

Das biqueiras ao cabeludo
Até ao botão da camisa;
No punho, brinco cabeçudo
Envergando cor de Entrudo
Em tintas, voz que o diga…

Nem ida pode chegar:
Túmido, olho castiga;
Intumescido olhar,
Abrolho, gema raiar
Vestido douto, mendiga…

Caminha sola puída;
Rosto lambido, afeitado:
Rompe o carreiro da vida
No sapato engraxado…

Ali caiem com mil olhos;
Onde tropeça o olhar;
Uns meios, atam-se a molhos,
Outros tantos podem chegar…

Dentro da comichão, saudade
Açoite imberbe repuxa;
Termo tento, embruxa
Sombreada de vontade…

Estrela rota combate
Desmaia na madrugada:
Donde o escuro rebate
Cantigas de prata varada…

Assim os olhos tropeçam
Num encanto de embalar;
Novas gargantas conheçam
Tropeços por emalar…

Torneadas sobre a cintura
Quedas fundas de rimar
Larga lontra veste madura
Cai de podre sem reclamar…

Cravo não, que se entorta
Faria, longo paladar
Curta maneia, fecha porta
Rosa sim, Faz-me chorar.

Posso dizer que a rima não queria acabar; como sempre: Sou louco mas não sou pouco.

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Lunes, Septiembre 13, 2010 - 04:00

Poesia :

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antonioduarte

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Comentarios

Imagen de Henrique

Re: “Onde teus olhos tropeiam”

Nem ida pode chegar:
Túmido, olho castiga;
Intumescido olhar,
Abrolho, gema raiar
Vestido douto, mendiga…

Um poema que ao ler devora a escuridão!!!

:-)

Imagen de celiaduarte

Re: “Onde teus olhos tropeiam”

É isto a que eu chamo um poema maduro: Espectacular. Parabéns António Duarte.

Imagen de Mefistus

Re: “Onde teus olhos tropeiam”

Li e reli...

De uma força avassaladora e contagiangte.
O poeta,grita e brada, de punho cerrado, no insondável de nós.
Um poema brutal, de força contra a indiferença, contra a clemência dos juizos de nós.

Soberbo!

Elucido:

Torneadas sobre a cintura
Quedas fundas de rimar
Larga lontra veste madura
Cai de podre sem reclamar…

Imagen de HaiderChaby

Re: “Onde teus olhos tropeiam”

lindo e forte poema.gostei. parabens

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