Chuva

Esconde-se o sol no horizonte.
A lua cobre de prata o negro que se faz sentir na pele.
As nuvens cobrem os céus em tons de estanho.
Caiem gotas… na sua descida veloz apontam aos seres etéreos hipnotizados que se passeiam.
Molham-se os cabelos. Deslizam na pele, contornando os poros e beijando os pelos que se curvam em vénias, quebradas apenas pelo arrepio que se solta num despertar da alma.
As roupas húmidas e coladas ao corpo acentuam as formas, moldam-se aos mamilos erectos de desejo.
Ao bater a chuva no rosto, de olhos fechados, secam as lágrimas e sorve a língua o salgado que se abate nos lábios.
O cheira da terra molhada invade os sentidos.
Ouve-se em surdina o bater nos vidros das janelas, o choque da água no chão, as poças a vestirem a rua…
Os sons das roupas semi-vestidas num combate carnal penetram nos ouvidos, misturando-se com os sôfregos suspiros dos amantes à chuva.
Salpicos agressivos nas palmas das mãos e nas nucas nuas das cabeças que se balanceiam, escorrem pelas mãos encostadas às paredes ásperas de uma parede banal.
Encosta-se a parede molhada à face de lábios mordidos,
ecoam gemidos
e escorre a agua
e o sémen
pelos corpos sentidos.
No reflexo prateado do mar que se sobrepõem nos corpos molhados de chuva e prazer, sente-se o desejo que consome os amantes em ambíguos anseios de paixão.
Cessa a queda das gotas,
Albergam-se os amantes em orgasmos,
Mas a chuva … essa…não para.

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Lunes, Marzo 1, 2010 - 19:39

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Moon_T

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Re: Chuva

muito sentimental e expressivo :)
Gostei, parabens .

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