Os cinco sentidos

São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:

Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!

Divina - ai!, sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa,
Será; mas eu do rouxinol que trina

Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!

Respira – n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede ...sequiosos,

Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos,
É só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito.
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia

Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti - em ti!

A ti! , ai, a ti só os meus sentidos

Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E quando venha a morte,
Será morrer por ti.

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Sábado, Abril 11, 2009 - 18:23

Poesia Consagrada :

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