DIABLO - INTRODUÇÃO - (parte3/3)

Estado de Chiapas - México - 21 de Dezembro de 600 D.C.


A noite cobria o vale do estado de Chiapas, no México. Por entre as verdejantes encostas, perto das labaredas crepitantes das fogueiras em circulo, Balam, o bruxo da aldeia sacudia frenéticamente o cajado de ouro curvado, com caracteres Divinos entalhados na base:
-A hora da negação e da Impureza se aproxima da nossa aldeia. Um mal consumirá todas as nossas almas e seremos cativos da força negra.
Em redor os bravos guerreiros, sustinham a respiração, absorvidos pelo discurso do bruxo Balam, enquanto acenavam afirmativamente com a cabeça
-Ampere Hora Tabai, o nosso Deus da Morte, enviou-nos um sinal. Um sinal perigoso de Além - Mar virão estrangeiros, de lingua viperina e coração negro.
-Combateremos, como combatemos então todas as ameaças....
Balam, hesitou sorrindo nervosamente e erguendo o tom de voz alertou:
-A nossa civilização Maia atingiu o seu apogeu de periodo fértil. Maus tempos virão, mas nós, os verdadeiros Maias, os filhos legitimos de Ampère-hora Ciliz, o nosso Deus da Guerra, não vacilaremos.
-Os estrangeiros morrerão. - Prenunciava abertamente o Guerreiro da primeira fila.
-Meu bom Tukkor, não são os estrangeiros que nos derrotarão! Hoje chamei-vos diante de mim para vos revelar algo bem mais desconcertante que a ameaça de uns estrangeiros.
Acompanhando o lento evoluir das chamas das fogueiras, iluminados pela farta chama, os guerreiros ouviam expectantes:
-Contarei a todos vós, Filhos Maias, a primeira profecia deste vosso amigo. Falo do final do medo! Falo do final do temor nos nossos filhos. Temos presenciado no nosso interior o crescente e Ódio e a ânsia pelo que é belo, pelo que é material. Contudo, asseguro-vos que não será apenas mal nosso! É um mal da Humanidade e durará ainda muitos anos.
O desconforto começou a invadir a assistência, perdidos na visão assustadora de perderem toda a riqueza e espólio da evolução dourada do seu reino:
-A primeira existência negra foi-nos revelada pelo sol. Exactamente sete anos após o ultimo Katun ( periodo de 20 anos), começará uma época de escuridão, que fará com que o Homem examine a sua consciência e as suas vidas. Sete anos depois, o Homem abandonará a sua existência corpórea e será guiada pela porta Maia, para um ultimo nivel de excelência.
-Mas Balam, nosso sacerdote e vidente, se isso só acontecerá em mil anos porque nos teremos de preocupar com isso e não com a presença de estrangeiros?
Balam parou, pousou ligeiramente a base do cajado e mirando o guerreiro, continuou:
-Sei que sois impaciente como uma Hiena mas bravo como um Leopardo. Precisamente porque tudo está relacionado.Pelos estrangeiros remeteremos a maldição negra para as suas terras, para longe de nós.
Um sussurro enervante surgiu na assistência, apesar de Balam o parecer ignorar:
-Balam, nosso sacerdote, receio não compreender....
Levando as mãos ao manto de leopardo que cobria as costas cicatrizadas do guerreiro Tukkor, usou um numero simples de magia e fingindo retirar algo do corpo do Guerreiro, ( quando na verdade já o tinha na mão antes), o sacerdote ergueu um amuleto dourado á assistência e clamou:
-Aqui concentrei toda a protecção do Homem e dos Puros. Na hora certa, algo maligno usará este medalhão, levando o Homem a entrar num periodo de sombras e receios. Este medalhão acordará no peito de alguem apartentemente inocente, fruto da maldade de B’olon ti k’u, o senhor do submundo e das trevas e então acordará a maldade no Homem e despoleterá a violência.
Um silêncio sepulcral instalou-se na assistência, com um outro guerreiro a sussurrar entre dentes:
-Pobre criatura o ostente. Ofereço-me para o destruir! - Alertou Nazzir
-Não! - Bradou Balam.- Nenhuma força Humana ou Inumana o destruirá. Este medalhão será o "Fogo Eterno" , o olho da verdade de nosso Deus Sol, o grande Ampère-hora Kumix Uinicob. Ele será entregue aos invasores estrangeiros, de acordo com a nossa profecia.
Como era usual as mulheres da aldeia, deram as mãos e oraram, numa canção ritmada, enquanto Balam, executava a oferenda dos espiritos.
Contudo, Nazzir que vivia orgulhoso do seu espólio de Ouru e do seu Status de Guerreiro Sagrado, não resistiu, olhando demoradamente o amuleto colocado aos pés do Sacerdote, ergueu rapidamente a lança e sem perder tempo espetou violentamente a ponta no pequeno orificio do amuleto.
O céu negro imediatamente ganhou cor, ficando avermelhado e perante a estupefacção de Balam, explosões de cores e raios atingiam furiosamente a assistência:
-Louco, que foste fazer? Eu te afirmei....Nada pode o destruir. - Berrava Balam para o guerreiro.
Então o insólito sucedeu, do solo, espirais de fogo consumiam os presentes, rodeando-os, carbonizando-os.
Assustados os presentes corriam como formigas atarantadas, caindo inanimadas ante os seres de fogo, que surgiam continuamente do solo.
Numa réstia de força e coragem , Balam ergueu o cajado, atirando o amuleto para as mãos de Tukkor, que compreendendo o pretendido, agarrou-o, e correndo com toda a furia que lhe permitia, aproximou-se do penhasco de encosta verdejante e saltou para o Mar, que batia furiosamente na encosta escarpada, desaparecendo de seguida com o Medalhão.
Instantes depois, um mini ciclone atingiu a área, levando com ele os corpos carbonizados e mesmo os que permaneciam vivos.
A noite voltou calma e serena e para sempre, nesse centro urbano da cidade Maia, as vozes Humanas calaram-se.
 

http://rabiscosdealma.blogspot.com/search/label/Conto%20-%20Diablo

Submited by

Jueves, Diciembre 16, 2010 - 21:41

Prosas :

Sin votos aún

Mefistus

Imagen de Mefistus
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 5 años 16 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 3000

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Mefistus

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Desilusión A Causa Nobre de Vida 4 2.795 02/25/2011 - 16:53 Portuguese
Poesia/Aforismo Em Carne Viva 1 2.805 02/24/2011 - 11:30 Portuguese
Prosas/Terror Diablo - Capitulo 3 - Parte 2 0 3.360 02/24/2011 - 10:42 Portuguese
Prosas/Terror Diablo - Capitulo 3 0 3.623 02/24/2011 - 10:33 Portuguese
Prosas/Terror Diablo - Capitulo 2 ( parte 3/3) 0 3.134 02/24/2011 - 10:28 Portuguese
Prosas/Terror Diablo- Capitulo 2 ( Parte 2/3) 0 3.464 02/24/2011 - 10:24 Portuguese
Poesia/Meditación Fina Palavra 4 2.057 01/21/2011 - 11:40 Portuguese
Poesia/Canción Reinventa o meu sorriso 0 3.612 01/20/2011 - 12:04 Portuguese
Videos/Musica Irish Song - The Corrs 0 3.563 01/20/2011 - 11:34 Portuguese
Poesia/Desilusión Cruzes, Sinas e Sinais 2 2.683 01/18/2011 - 19:11 Portuguese
Poesia/Cumpleaños Divagação em Fá Sustenido 2 3.209 01/18/2011 - 18:49 Portuguese
Videos/Musica Forever failure- Paradise Lost 0 3.630 01/18/2011 - 11:57 Portuguese
Prosas/Terror DIABLO - Capitulo 2 ( Parte 1/3) 0 4.239 01/15/2011 - 01:52 Portuguese
Poesia/Erótico Placenta - " Ou a Sorte Casta" 4 3.934 01/10/2011 - 10:25 Portuguese
Prosas/Terror Diablo - Capitulo 1 ( parte 2/2) 0 2.499 01/10/2011 - 10:06 Portuguese
Poesia/Aforismo O regresso à Inevitável casa 8 3.568 01/07/2011 - 21:08 Portuguese
Poesia/Meditación 5 Chakras de Loucura! 3 2.781 01/03/2011 - 22:55 Portuguese
Poesia/Intervención The Chocolate Tale! 2 3.230 12/22/2010 - 22:02 Portuguese
Poesia/Comedia Tosco Gingado 2 3.046 12/22/2010 - 16:06 Portuguese
Poesia/Desilusión Inuendo 1 3.296 12/22/2010 - 09:01 Portuguese
Videos/Musica Spanish Caravan - The Doors 0 6.582 12/21/2010 - 10:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos Casta na Infinidade do Teu Ser 1 3.120 12/20/2010 - 22:31 Portuguese
Videos/Musica Sabre Dance - Vanessa Mae 0 4.910 12/20/2010 - 12:12 Portuguese
Poesia/Meditación Na Imensidão de um Afago 4 3.116 12/17/2010 - 18:10 Portuguese
Poesia/Aforismo O remanescente do que agora se foi! 2 3.205 12/17/2010 - 18:05 Portuguese