CROCHÉ DE BRUXAS

Um croché de bruxas
veste a noite em tons mais negros
que o escuro de uma noite eclipsada
por unhas envernizadas de aspirina.

Grandiloquentes
gargalhadas coscuvilhadas
em línguas tombadas à porta de feitiços
à espreita de uma janela à hora da telenovela.

Batons de cor menstruada
abalroam a lua ressacada à pedrada com xanax.

Vozes entoadas de cotão
ouvem-se ácaros ciosos montados
em vassouras de pau torto em testas ornamentadas.

Feiticeiras
de cuecas sujas
por almas depenadas,
varrem as esquinas do ar como enxadas
encabadas ao frio escavam sepulturas na terra.

Narizes pontiagudos
atalham ruas fungosas
por debaixo de capas assoadas
por retinas pretas.

Receitas lagarto sapato
maquilham bocas malvadas com hálito
a meias rotas e perfumadas de caminho.

Chapéus de bico alto
ensombram minissaias de salto alto
com calcanhares em grito feito de agulhas
que descosem maças envenenadas.

Xailes de cruzes canhoto
ensacam medos adultos qual criança
fosse levada pelo homem do saco
que nos ronca aos pés da cama.

Entre raios e coriscos
vassouras vão-se piaçás trôpegos sanita abaixo.

Mudam-se os tempos,
mudam-se as vassouras e as bruxas
vão agora de aspirador mais silencioso
que as barbas rijas da vassoura.

Outrora entravam
pelo buraco da fechadura sem vaselina,
agora entram pela net desvirginadas de vergonha.

E no céu sobram dias de vinte e cinco horas.
 

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Jueves, Diciembre 30, 2010 - 20:14

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Henrique

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CROCHÉ DE BRUXAS

Descrição pessoal e típica...

quiçá, crítica a outras bruxas...

 

Vitor.

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