SOFRER SEM LEME NO MAR DO TEMPO


Teu corpo é um dicionário
de fôlegos oníricos que o meu corpo lê pitoresco.

Blindas o meu ego
com interpretações bilingues de corpo e alma.

Em ti as palavras são guerras alfaiates
que me vestem calendários infinitos.

Quando me falas,
sou terramoto à solta
pelas cearas do pensamento a colher sabedoria.

Sem ti,
sou volátil esquina
de emoções imperfeitas.

Estares a meu lado
aperfeiçoa a razão dos momentos.

Quando me dás a mão,
as montanhas são módicas,
os esconderijos são céus amplos.

Céus derramados
em serões de gritos contentes,
dando vivas ao chegar do teu ser a mim.

As horas quando te abraço
são quase como fantasmas,
instantes milenares a cada nanossegundo.

Tiquetaques passam por mim
ostentados por escoras de luz
que em mim conduz a eternidade das eras.

Apessoada dor
me sonoriza a saudade
em uivos da madrugada sem ti.

Sem ti, sou sofrer sem leme no mar do tempo.

Antes de ti,
a poesia era um carrossel de escadas
que por mim desciam encenadas em brisas cítricas.

Lamentos eram datados
em menta nas minhas palavras.

Agora em ti, tudo são legendas de amor.

Tudo quanto era só lengalenga,
agora são sentimentos harmonicamente soprados
pelos nossos ventos mútuos na clarabóia das nossas almas.
 

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Jueves, Enero 27, 2011 - 22:02

Poesia :

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Henrique

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