SILÊNCIO DA DOR


Sim,
sou eu aquela estrela
que entre todas é a que menos brilha.
A luz sem nome.

Sou o mais longe que o escuro da noite pode alcançar.
Aquele deserto que nenhum mortal ousa caminhar.
Aquele vento que num só grito tudo despedaça.

O monstro que o espelho esconde sou eu.

Sim,
sou eu o veneno
ingerido pelos deuses
que estrangulam os sentimentos.
O fogo que serve de ninho aos pecadores no inferno.
Sou os cornos do Diabo.

Trovão que ralha às madrugadas solidão invernosa.

A pedra atirada sou eu.

Sim,
sou eu a lágrima
que a saudade esculpe lástima nos olhos.
Sou o frio que a morte traz vestida.

Sou a palavra mais calada
de todas as palavras sepultadas num poema triste.

O silêncio da dor.
Larva na cicatriz da alma.
Pântano que enloda o peito da vida.

O abismo por onde cai o tempo decomposto sou eu.

Sim,
sou eu a sombra
escrita na lápide dos poetas.
Sou os dentes da fera que em mim chora.
A distância que separa o amor dos lábios dos amantes.

O véu cinzento do céu.
Sou a morgue da voz autopsiada pelo pensamento.

O nevoeiro que engole as naus dos sonhos.

Sim, sou eu.
 

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Martes, Febrero 8, 2011 - 23:22

Poesia :

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Henrique

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Comentarios

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Henrique! Um lindo e triste

Henrique!

Um lindo e triste poema, em desabafo da dor do Poeta!

Espero que seja só momentos passageiros, como as nuvens de inspiração,

que passam as vezes pela mente e imaginação do Poeta!

Com o retorno da bonança, são os meus desejos!

Um abração,

MarneDulinski

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