Sem título(7)

Transporto comigo o choro inicial,

lágrimas primeiras, e logo anunciando a partida,

como se fosse o excedente

nascido em hora imprópria, em inadequado lugar.

Nascido ser para não ser exequível vivente.

Apenas um supra-numerário!

Que me importa saber da qualidade do choro?

se são de alegria ou de tristeza estas lágrimas?

se são reais ou apenas ficções do meu sofrer?

Sinto apenas o infinito sal, o sal de todos mares

sinto-o a rebolar no meu rosto

por dentro do meu rosto, sangue e plasma do meu corpo.

No lugar do ser deram-me oceanos para alimentar,

no lugar de viver foi lugar de chorar as minhas penas,

e cuidei que era mar, julguei em mim todo o pranto do mundo,

e se entre iguais lugar me não coube, fiz-me mar,

alimento de todas as dores, a culpa de todas as derrotas.

Não!

Não vou chorar sobre o meu pranto, bastante é ele,

imenso e completo em si próprio,

causa e efeito da minha existência.

Redundante foi meu nascimento

porque eu não nasci para nascer, estava tudo completo quando cheguei,

não nasci para nascer, e se mundo já era um equilíbrio perfeito

porquê então meu nascer?

Não nasci para nascer , apenas ser um breve instante de pranto

-pranto por mim e o pranto de quem nunca chorou-

Ser afinal todo o sal do mundo

até ser todas as lágrimas jamais vertidas

de tristeza ou de alegria, talvez até de indiferença,

que eu não sei o que é chorar de indiferença

ou de indiferença choro eu por mim!


Dionísio Dinis

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Miércoles, Febrero 23, 2011 - 06:42

Poesia :

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Dionísio Dinis

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Sem título(7)

Mais um belíssimo poema seu, meus parabéns,

MarneDulinski

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