Sem título(25)

Saio de casa ainda o dia é primícias,

Sentado na língua molhada da praia

Encho o olhar de mar e do regresso do pescador,

Completo-me de brisas e de sol nascente,

Cresço na elevada vivência de quem ama a vida!


Observo as redes vazias do pescador,

E não vejo tristeza e amargura em seu rosto,

Por ter sido arredio o peixe ás suas redes.

Sorri como se farta tivesse sido a faina,

Assim, como se dádiva preciosa fosse,

O mar ter-lhe dado um dia de redes vazias.


Guardo do seu olhar brilhante de navegares,

A sublime aceitação dos dias de menor sorte.

Sereno no saber da dinâmica da vida,

Confiante na cumplicidade dos mares,

Tranquilo na escassez e na fartura,

Paciente na espera de melhor acaso.


Faz-se entender na linguagem do mar,

E nas palavras das coisas simples

Acha sustento maior.

Do mar aprende o tudo e o nada,

Numa singeleza quase ascética

Detêm a erudição de sabedorias maiores.


Canta uma canção de alegria

Ao passar por mim o pescador,

Saúda-me com sorriso de felicidade.

E eu, já nem sei, se por contemplação,

Ou por suprema gratidão,

Retruco em vero sorriso de bondade.


Já vai alto o sol quando regresso

E não maldigo as noites não dormidas.

Apetece-me lembrar apenas

As alvoradas na praia do saber.

A vida por inteiro

Na vida de um pescador.

Compreender que muito ou nada possuir

Vem a ser coisa una e indivisível!


Dionísio Dinis

 

 

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Viernes, Febrero 25, 2011 - 05:48

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