ANGÚSTIA

A língua marcada
Pela fero palavra
Ensaia som que não existe
Na busca do idioma perfeito
Que comunique o número exato
À pele negra que passa
Que jamais saberá que, ao lado,
Alguém indaga da sua felicidade.

Estou só. Inexoravelmente só
E alheio a isso
Sou toda a companhia do mundo
Toda a solidariedade
O coração, inútil instrumento
Bombeia oceanos
Crendo-se capaz de adivinhar
Outro coração

As mãos maceradas
Pelo coturno da palavra
Que não marcha de mim
Existia no limbo
Das idéias estacionadas

Sou o homem apavorado
Vendo fauces escalavradas
Dos que vão à madrugada
Em direção à Central do exílio
Para filhos que sonham nada
Derramar nas esposas
O cansaço da jornada.

Apiedo-me deles
No seio da náusea
Que é a mesma que sentia
Ao vê-los esfacelados
Nas fotos santamente guardadas:
Mártires acenam da história
As mãos anjas para o nada.

Estando indescritivelmente só
Sinto-me feliz agora
Embora me doam os pés
Sobre pedras desconfortáveis
Ás quais os lancei buscando mistério
O verbo não dicionarizado
Que exprimisse a angustia
De ansiar tudo sendo nada

Enquanto rodopio no rodamoinho
Das angustias que não param
Homens acendem a centelha das armas
Em busca de algo onde existe nada
Traçantes cruzam a noite na batalha
Sem fim pela madrugada

Enquanto magôo com furor os pés
Nas pedras da enseada
Querendo penetrar no mistério do ser
Para fugir do ser nada
Outros, como eu,
Empertigam-se na batalha

É quando atento do inútil
Que é buscar a palavra exata
Que comunicasse a todos
A minha aflição
E mais nada.
 

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Domingo, Febrero 27, 2011 - 01:26

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jgmoreira

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ANGÚSTIA

Que é buscar a palavra exata
Que comunicasse a todos
A minha aflição
E mais nada.

Lindo text, meus parabéns,

MarneDulinski

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