Sem título(108)

Não demoro naturezas mortas em meu regaço

E longe é a casa do refrigério do ser

Da vida das coisas que são aparentemente feitas de seiva e alma

Guardo a sensata distância de quem sabe ser impúbere na casa dos espelhos

Não sei da morte mais do que me ofertam das imortalidades negadas

Das pedras e dos musgos dos caminhos

É mister não escolher martírios ou paraísos redentores

No vórtice estonteante de um enlace telúrico

Deixo o lúgubre das palavras aos viandantes da lua negra

E por mim basto-me de contentamento no abraçar da mulher amada

 


Dionísio Dinis
 

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Lunes, Marzo 14, 2011 - 05:53

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Dionísio Dinis

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Caramba. Quanto lirismo.

Caramba. Quanto lirismo. Lembrou-me, pelos versos longos e exposição, Manuel Bandeira.

"É mister não escolher martírios ou paraísos redentores"

E isto foi um achado.

Parabéns. Lindo poema!

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