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Sem título(108)
Não demoro naturezas mortas em meu regaço
E longe é a casa do refrigério do ser
Da vida das coisas que são aparentemente feitas de seiva e alma
Guardo a sensata distância de quem sabe ser impúbere na casa dos espelhos
Não sei da morte mais do que me ofertam das imortalidades negadas
Das pedras e dos musgos dos caminhos
É mister não escolher martírios ou paraísos redentores
No vórtice estonteante de um enlace telúrico
Deixo o lúgubre das palavras aos viandantes da lua negra
E por mim basto-me de contentamento no abraçar da mulher amada
Dionísio Dinis
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Poesia :
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Comentários
Caramba. Quanto lirismo.
Caramba. Quanto lirismo. Lembrou-me, pelos versos longos e exposição, Manuel Bandeira.
"É mister não escolher martírios ou paraísos redentores"
E isto foi um achado.
Parabéns. Lindo poema!