O OLHAR DESAPARECE NA MEIA-NOITE DO BEIJO

 

Teias de queixume
pautado alçapão de luares pupilos da dor.

A morte como colchão
aquando a palavra se cala,
saudade que fala prisioneira num porão de ausência.

O adeus que abriga a lua aportada no gume das lágrimas.

Boca encerrada num fogo
que lavra os lábios propagados de amor findo.

Razões de ser manietadas
por corpos vendados por sombras
transformadas num hotel para fantasmas do passado.

Nascimentos
entregues à longevidade
insultam a morada falsa de uma sepultura
cavada por sorrisos proporcionados de solidão.

Ruínas de loucura
somam perdas leiloadas pelo amanhã
que teima acontecer depois do amanhã.

Epitáfio escrito num papel de anteontem
tornado alva no pensamento que salpica nódoas na escolha.

Quarteirões
de sentimentos despejados num rio
por onde se estende a noite manto de maratonas imóveis.

Desabafos
derrocados na fachada de uma árvore
voltada ao inverno de um Julho chorado.

A demolição da alma
é um bosque de cadáveres
que passeiam pelo Domingo dos olhos.

O olhar desaparece
na meia-noite do beijo expulso do horizonte.

As mãos
adormecem num escuro de pedra
cinzelada Dezembro na manhã de um poema.
 

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Miércoles, Marzo 23, 2011 - 19:37

Poesia :

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Henrique

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Um poema escrito com

Um poema escrito com requintes de talento envolto no manto negro da desilusão que cobre o corpo com sua pesada sombra que pode destroçar qualquer reação/ação.Cada estrófe do poema é uma beleza rara.abraços

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