Madrugadas de água

Madrugadas de água

Perturbada em madrugadas
inventadas
junto a maresias bafientas…
Enterro o cheiro nauseabundo
em buracos de areia preta…
Por magia, soltam-se os
cheiros de marés
apetecidas
acariciando uns pés
delicados, magoados
da caminhada…

Por entre a espuma branca
assomem sereias,
nada iguais
às dos mitos
repetidamente contados
por marinheiros,
em noites de luas cheias,
prenhes de filhos
presos, nos seus ventres.

As mães choraram
e amaldiçoaram
tais feitiços
com olhos mortiços…
Rogam pragas, nesses dias…

Mas a sina do mar,
desaguando em oceanos,
é mesmo essa…
Dá e tira vida,
encanta e desencanta,
envolve em teias
de encantos
seres que, especados,
olham hipnotizados,
os mistérios
da alma dos oceanos.

Recuando em cursos de água,
vislumbro os rios e riachos
que transportam
o sangue das dores
de agricultores
que nas levadas
ficaram sem nada…
Ah! Água maldita!
Fonte de riqueza, de dor e Vida!

OF 13-03-2011
 

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Sábado, Abril 2, 2011 - 00:57

Poesia :

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Odete Ferreira

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Comentarios

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O Mar

O mar sempre o mar.
O mar que chama. O mar que clama.
O mar sereno. O mar pleno.
 
Gostei muito deste teu exercicio, em corda bamba, sobre o teu mar. 
 
Muito bem conseguido;)
Imagen de Odete Ferreira

Madrugadas de água

A água: elemento fundamental de vida e para a vida plena!

O mar, uma atracção, um mistério, um olhar profundo...

Grata, Ex-Ricardo

Bjinho :)

Imagen de antonioduarte

"Madrugadas de água"

Olá Odete, seja bem vinda.

O seu texto marca o caminho da aceitação, enriquecendo as memórias do tempo.

Parabéns, gostei de te ler.

Abraço

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Madrugadas de água

Obg, antonioduarte, pelo comentário enriquecedor!

Bjinho :)

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