PASSAM CEGOS OS SILÊNCIOS EM QUE TE BEIJAVA

 

Acenos de adeus tropeçam grito
na goela do meu acreditar no amanhã.

Morrem-me os olhos num firmamento negro.

Acenos de adeus
que são como serpentes a mudarem as suas peles.

Depois desse adeus, tudo é adeus.

Meus olhos já não são as flores que te cortejavam.

Meus olhos passaram a ser rochas áridas
no deserto do meu corpo.

Minhas mãos já não são o sol da primavera
que te recebia sortido de perfumes de amor.

Minhas mãos,
agora são sombras de árvores sem fruto
num Outono interminável.

Meus pés já não são o colo dos meus sonhos.

Meus pés,
foram metamorfoseados
em esferas de chumbo com o peso certo
para me atar ao momento do teu aceno de adeus.

As horas já não são os ventos em popa de outrora.

As horas neste adeus,
são carroça que empurro de lado,
são fado imóvel no tear da minha força.

Passam por mim mudas as palavras,
passam cegos os silêncios em que te beijava.

O que da tua voz agora escuto,
apenas fica o teu adeus submerso na minha tristeza.

Nada é o templo do meu sentir o vácuo
que persegue a minha utopia.

Meu sorriso já não é o arco-íris
que te maquilhava de rainha.

Meu sorriso,
é um castelo de areia frágil
à beira do teu mar de pessoa onde a cada maré
te afastas para distâncias que desconheço.

Minha alegria,
já não é as borboletas coloridas que te rodeavam.

Minha alegria,
é hoje uma canoa à deriva
pelo veneno da lua feito por lembranças de ti.

Os dias seguintes sem ti são o abismo que me falta cair.

Sem ti sinto-me sepultado num sono
que se finge de morte num tempo dormente
à espera que eu desista de viver.
 

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Lunes, Abril 4, 2011 - 21:18

Poesia :

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Henrique

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E fica esta vontade imensa de realizar poesia.Gostei!

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