Casa de roçeiro

Eis que entre as andanças,
entre as matas, surge a casa.
Era azul como o céu claro,
as telhas vermelho-brasa,
paredes sujas de barro
porta de dupla passada.

No jardim tinha a roseira,
boa-noite, sempre-viva,
pé-de-batata, malvão,
copo-de-leite, tulipa,
capim-santo, agrião,
beijo, arruda e pé-de-pica.

Tanque embaixo da biqueira
cruz de palha na entrada,
batente com três degraus
trepadeiras penduradas
repletas de bicho-pau
que nas folhas desenhava.

Adentrando na tal casa,
vários quadros eu encontro,
Jesus, São José e Maria,
São João e Santo Antônio,
São Pedro e Santa Luzia,
Frei Damião lá, orando.

Na sala, além do oratório,
tinham só quatro cadeiras,
uma singela cortina,
embaixo da cumeeira.
E na beirada da quina,
uma rede aparecera.

Mais a frente vem os quartos,
só dois deles pude ver,
mas dez esteiras e uma cama
sem mais espaço ali conter
no teto uma rede bamba,
onze roncos iriam ter.

A cozinha era singela,
mas suja jamais seria.
panelas bem ariadas
repousam em cima da pia.
cristaleira bem cuidada,
encantava quem a via.

Do outro lado da casa,
fogão a lenha ali tinha
com suas panelas de barro,
cozinhava o que vinha,
o telhado esfumaçado
Mostrava o dom da cozinha.

A vida de lá era simples,
mas o que tinha era o muito,
o pouco era não ter nada,
no bolso o buraco é fundo,
mas a terra bem plantada,
dava ao homem o que é do mundo.

Homens do campo eram eles,
casa linda de se olhar.
Boa foi a viagem,
um dia espero voltar,
dessa eu levo a bagagem,
casa que em mim vai morar.

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Jueves, Abril 7, 2011 - 13:49

Poesia :

Su voto: Nada (2 votos)

Peu de Andrade

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Comentarios

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Lindo texto, gostei muito e

Lindo texto, gostei muito e destaco esses versos abaixo!

Boa foi a viagem,
um dia espero voltar,
dessa eu levo a bagagem,
casa que em mim vai morar.

Meus parabéns,

MarneDuliski

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