SEM ALMA, O MEU CORPO É UM ARBUSTO

 

Caminho sobre mim,
passo por mim os pés como se nada valesse.

Olho-me pró lado, não me quero ver de frente.

Passo por mim invisível,
não quero que esse Eu me veja.

Esse que se crê grande e não é nada.

Esse que me castiga,
que me transforma num verme
como que se a minha alma de uma maça se tratasse.

Volto-me as costas, não me quero ver a cara.

Saio de mim,
vou-me embora desse corpo que não quero.

Esse que nem sequer tem asas
para voar os céus onde sou poesia.

Que nem sequer tem guelras
para mergulhar a verdadeira essência dos oceanos
onde a imortalidade se esconde nos corais.

Que nem sequer tem foguetões
para passear pelo universo onde o infinito
é um beijo de amor.

Corto-me,
desapego-me desse corpo
pelo qual minha alma se arrasta mortal.

Levito-me desse corpo do qual sou prisioneiro,
pelo qual as utopias são caudas de serpentes.

Caminho sobre mim, piso-me sede sem piedade.

Meus olhos são oásis no deserto desse corpo.

Olho-me de lado,
quero me ver de longe,
de onde esse corpo não me alcance.

E passo por mim tão longe para ser Eu.

Sou a minha alma,
sem ela o meu corpo é um arbusto.
 

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Sábado, Abril 9, 2011 - 23:06

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Henrique

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Comentarios

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poemas

Não é a massa , mas sim a alma,Forte, linda expressão! bjs.

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Lindo poema que salienta a

Lindo poema que salienta a alma( a essência) na sua imortalidade ao desapegar do ego( a matéria) com suas ilusões...

Gostei muitosmiley

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