Solidão


Rudes telhados me abrigam os açudes da alma
da têmpora da tempestade musa de precipícios.

Amaldiçoada calma, enxofrada de culpa chorada
em palavras mutiladas de tempo morto.

Ontens são cápsulas ejaculadas sulco ao sempre,
museus de portas derrubadas.

Amanhãs são misericórdias de olhos fechados,
acordes de cabeça doída em senão.

Linhas abalroadas em estéticas sozinhas,
belezas capotam a clavícula da voz impaciente.

Invernos escoados em pêndulos oscilados
entre o gume da utopia e o espeto da vida.

Corrente de nada nadado contra o vento
de frente envelhecida na ponta da língua,
mordida por ecos sem refúgio.

A saliva salva-se ninho de víboras letais.

Montanhas enfaixadas na polpa da carne
que amamenta o passo rumo à invenção do prazer.

Poemas escravos de traumas escuros,
tramas alcunhadas de beijo necrófago
buscam na boca da morte o invólucro do apocalipse.

O pôr-do-sol é um deserto de azeite
onde a noite é água sem candeia na penumbra do Eu.

Alpendres fatigados em fatias bolorentas
no tubo de uma espingarda apontada ao ovo dos amantes.

Luz de luas sem rodas.
Triangulares, luares untados por carumas
oradas tronco de uma floresta cujo corpo transpira fim.

 

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Viernes, Mayo 13, 2011 - 04:13

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Henrique

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