Grito desflorado por ódio ao céu


Homem só, poeta na multidão.
Um louco diferente dos loucos.

Feito de palavras tristes.
Gume de leitos no altar da solidão.
Empilho de pedras atiradas ao charco deserto.

Grito desflorado por ódio ao céu.
Sou o vazio desconhecido do meu passo.
Tudo quanto me embate no olhar é tristeza.
Desfasado da lua que sussurra no meu respirar aturdido.

Suspiro murmúrios à vastidão do mar,
procuro uma ilha para abrigar o meu choro.
Morre-me a imortalidade da alma ansiosamente.
Cais de beijos onde me dói-me a boca de tanto silêncio.

Sou poema, pântano
onde os nenúfares se perdem no meu fundo.
Difícil de avassalar qual ilusão se apodere do oásis.

Luares em sopa de feitiços mal feitos,
caldeirão de corpos em lúmenes brandos.
Esporões atiçados por fogos que me espancam.

Meu pensamento é um fio de seda,
nó de rufos loucos que me ata ao pleonasmo dos dias.
Lodaçal de musas que me cobre a cara com vultos negros.

A volúpia do vento
é ausência que me contraria o caminho.
Inóspito ser, demolido em súplicas de morte.
Guitarra de cordas empolgadas por feitio sem unhas.

 

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Domingo, Mayo 15, 2011 - 20:45

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Henrique

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