O acendedor de lampiões (Jorge de Lima)

Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente,
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua.

Jorge de Lima, poeta brasileiro.

Submited by

Lunes, Junio 6, 2011 - 14:38

Poesia :

Sin votos aún

AjAraujo

Imagen de AjAraujo
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 7 años 42 semanas
Integró: 10/29/2009
Posts:
Points: 15584

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of AjAraujo

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Dedicada Auto de Natal 2 6.496 12/16/2009 - 02:43 Portuguese
Poesia/Meditación Natal: A paz do Menino Deus! 2 8.967 12/13/2009 - 11:32 Portuguese
Poesia/Aforismo Uma crônica de Natal 3 5.846 11/26/2009 - 03:00 Portuguese
Poesia/Dedicada Natal: uma prece 1 4.832 11/24/2009 - 11:28 Portuguese
Poesia/Dedicada Arcas de Natal 3 8.819 11/20/2009 - 03:02 Portuguese
Poesia/Meditación Queria apenas falar de um Natal... 3 8.956 11/15/2009 - 20:54 Portuguese