RIR DESPOLUÍDO DE SOMBRAS


Doado à beldade
que me faz vil ciúme
nas entranhas do corpo,
sustento-me de alvos alavancados
por geografias impossíveis, imprevisíveis.

Fisionomias por inventar,
ergonomias da noite em repouso perfeito.

Ser o peito do infinito.

O total de uma conta
ainda por somar na minha multiplicação dividida
num avental de sonhos ainda no forno do meu passo.

Ser sol,
tojal de fogos,
cardume de calores no sangue do mundo.

Mar vasto,
canastro de sementes inolvidadas,
colheita de portas fechadas à peúga da tristeza.

Vento aos quilos,
pesar o meu sopro na balança da eternidade.

Ser como um rio alagado de vida.

Rir despoluído de sombras que se pregam ao meu pé.

Ser chuva.

Fazer da poesia
pastos arejados, florestar
o deserto da alma com ervas aromadas de amor.

Ser só meu,
o céu de todos,
a terra fértil de tudo.

 

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Martes, Junio 14, 2011 - 19:21

Poesia :

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Henrique

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