DEPOIS DE TI


Frágil, onda imóvel
que bate na onda ágil do mar, eu.

Rocha onde a tristeza se renda no meu olhar.

Os meus ais são chuva, lágrimas
sobre a tua fotografia consumida por saudade.

O meu corpo é um labirinto nevado,
outrora rua em recta no teu passo de amor.

É agora uma árvore de cemitério.

Tudo depois de ti se sepulta à minha volta.

De mim vejo mães que choram os seus filhos.

Sim,
porque depois de ti
a lua perdeu o seu luar,
as flores perderam os seus perfumes.

A vida perdeu-me.

Peço pouco, nem sequer que voltes.

Só quero saber porque o silêncio ocupa agora a noite.

O silêncio não pertencia à noite,
era das nossas bocas, do nosso beijo.

E porque partiste?

Mas tu não partiste apenas,
adormeceste as margens de um rio a dois.

Levaste as pontes.

A água agora vagueia desfeita.

Paraste as correntes.

As pedras ficaram sós,
mais imóveis do que nunca, disformes.

Secaste a nascente.

Os meus braços que te eram montanha.

São agora cascalho amargo
onde as serpentes fazem ninhos
com as minhas doces lembranças de ti.

Teia onde a morte se despe e veste as minhas palavras.

Escureceste a foz.

É a minha própria voz que me cala depois ti.
 

Submited by

Domingo, Junio 26, 2011 - 20:21

Poesia :

Su voto: Nada (4 votos)

Henrique

Imagen de Henrique
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 10 años 48 semanas
Integró: 03/07/2008
Posts:
Points: 34815

Comentarios

Imagen de unapoetisa

Uma rica poesia

Uma rica poesia, que transcede a tristeza e a transforma em saudade...

Mistura da harmonia entre a força do mar, o sopro do vento, no cais do amor...

A dor é superada, pela oportunidade de tomar conhecimento da existência de alguém tão importante em nossa vida, capaz de deixar marcas indedeléveis, a ponto de consagrarmos: a vida no antes e "Depois de ti"

Parabéns, sempre transcrevendo as palavras de forma autêntica!

Bjs

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Henrique

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Poesia/Pensamientos DA POESIA 1 14.082 05/26/2020 - 22:50 Portuguese
Videos/Otros Já viram o Pedro abrunhosa sem óculos? Pois ora aqui o têm. 1 59.181 06/11/2019 - 08:39 Portuguese
Poesia/Tristeza TEUS OLHOS SÃO NADA 1 11.845 03/06/2018 - 20:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O INFINITO SEJA O PRINCÍPIO 4 14.169 02/28/2018 - 16:42 Portuguese
Poesia/Pensamientos APALPOS INTERMITENTES 0 12.294 02/10/2015 - 21:50 Portuguese
Poesia/Aforismo AQUILO QUE O JUÍZO É 0 14.641 02/03/2015 - 19:08 Portuguese
Poesia/Pensamientos ISENTO DE AMAR 0 11.247 02/02/2015 - 20:08 Portuguese
Poesia/Amor LUME MAIS DO QUE ACESO 0 13.706 02/01/2015 - 21:51 Portuguese
Poesia/Pensamientos PELO TEMPO 0 11.167 01/31/2015 - 20:34 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO AMOR 0 11.570 01/30/2015 - 20:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SENTIMENTO 0 11.171 01/29/2015 - 21:55 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO PENSAMENTO 0 16.738 01/29/2015 - 18:53 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SONHO 0 12.049 01/29/2015 - 00:04 Portuguese
Poesia/Pensamientos DO SILÊNCIO 0 11.260 01/28/2015 - 23:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos DA CALMA 0 13.458 01/28/2015 - 20:27 Portuguese
Poesia/Pensamientos REPASTO DE ESQUECIMENTO 0 8.487 01/27/2015 - 21:48 Portuguese
Poesia/Pensamientos MORRER QUE POR DENTRO DA PELE VIVE 0 13.816 01/27/2015 - 15:59 Portuguese
Poesia/Aforismo NENHUMA MULTIDÃO O SERÁ 0 12.077 01/26/2015 - 19:44 Portuguese
Poesia/Pensamientos SILENCIOSA SOMBRA DE SOLIDÃO 0 11.846 01/25/2015 - 21:36 Portuguese
Poesia/Pensamientos MIGALHAS DE SAUDADE 0 12.192 01/22/2015 - 21:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos ONDE O AMOR SEMEIA E COLHE A SOLIDÃO 0 10.036 01/21/2015 - 17:00 Portuguese
Poesia/Pensamientos PALAVRAS À LUPA 0 8.847 01/20/2015 - 18:38 Portuguese
Poesia/Pensamientos MADRESSILVA 0 8.242 01/19/2015 - 20:07 Portuguese
Poesia/Pensamientos NA SOLIDÃO 0 12.700 01/17/2015 - 22:32 Portuguese
Poesia/Pensamientos LÁPIS DE SER 0 12.811 01/16/2015 - 19:47 Portuguese