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Escrevo-te a minha culpa em fogueira


Rende-se a tristeza
à cara da distância que nos emudece.
Fico em Marte arrependido dos choros que te causei.

Faço do sol o meu caderno.
Escrevo-te a minha culpa em fogueira.

Estás agora num cais esculpido
por mim no pólo norte da minha alma.
Deixei-te nas mãos a minha hesitação de te amar.
Escondo-me nas palavras de amor que não te disse.

Eras o oásis no deserto da minha vida,
mas não te vi por entre os cactos. Fui areia estúpida.

Eras a mulher que meu corpo buscava iludido de flores,
mas não te senti por entre as pétalas caídas no Outono
em que minha alma se encontrava.

O teu amor era de estrelas cadentes
e eu estava vendado por múmias do passado.
Era um leão de juba alta mas fui rato assustado.

Teu amor era de mulher,
mas não fui homem à altura da tua entrega.

Deixei-te em Vénus à minha espera com solidão,
Fiz dos meus lábios a pedra com que te apedrejei.

Quero encurtar esta distância que nos aparta.
Começar de novo o caminho que me ensinaste.
Reorganizar as cartas que o medo baralhou ao destino.

Ontem eras cedo
nos serões impossíveis dos meus sonhos.
Amanhã serás tarde de mais nos meus poemas.
Hoje espero ser capaz de te amar como tu me amaste.

 

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domingo, maio 15, 2011 - 00:53

Ministério da Poesia :

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Henrique

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