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AZIAGO

Fantasia.

Caminho em coma
pela minha sina de sinos sem torre,
onde tagarelo esperanças amontoadas
nas minhas unhas roídas.

Embalo
emoções suadas de espinhos
sem nada a perder neste granjeio de tudo
numa lareira de árvores de Outono.

Sinto-me leve,
fantasma inopinado
num terminal de sonhos,
onde sou o último corpo no deserto
dos meus olhos.

Acordo em galáxias
que se engolfam no escuro
que me indaga as mãos com crespos pânicos.

Desprezíveis.

Sou modo de mofo
por onde resvalo sílex,
em trovões de palavras serviçais
do meu lampo respirar luzes acorrentadas
ao sono do ego numa cama de versos sem-abrigo.

Num bramido,
lanço cordas que me enforcam a voz
ao céu onde deixo as pegadas da minha poesia.

Sinto-me ir tão longe
quanto a orla do mar me presenteia
de sereias enfarpeladas por ilusão.

Aziago.

Mordo o pão sem fome
enquanto o tempo se arrasta a meus pés,
engolindo-me os apetites da vida.

Bebo a água sem sede
enquanto a alma baila saltando fogueiras,
onde se desbota em serenatas ao amor.

Pairo sobre mim
como uma nuvem de chuva fria,
chamando-me a atenção dos sentidos
para o abismo dos meus joelhos
desaparecidos na utopia.

Escorre-me o choro
no remorso da pele eriçada em arte.

Monto em mim
palcos sem plateia,
afasto os panos e revejo a minha história
num faz de conta que nunca me contei.

No final
ouço palmas
batidas por ninguém
ao fundo da minha sombra,
enquanto o vento apupa empurrões
de seguir em frente.

Anestesio o inferno
no meu caderno de musas loucas.

Submited by

segunda-feira, julho 26, 2010 - 01:20

Poesia :

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Henrique

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Comentários

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Re: AZIAGO

Numa temática que muito me agrada, construite um belo poema, digno de registo

Bjs

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