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Canção de embalar
Aqui onde o mar é erva e vinha
tudo é tão breve e prolongado
(como o sopro da vida)
Passa pesado,
indiferente aos fluxos da respiração
Ritual ou gesto vacilante
das folhas a cair no chão.
Afago meu rosto no ardor da brisa fria,
ignoro meu choro de menina,
uma longínqua lágrima rola cálida
pelos veios da gestação das feridas.
Jorra canção adormecida
no hálito fresco de uma “ Orquídea”
nos meus lábios cerzidos a solidão.
Dói o impossível desflorar,
a adesão líquida
torrentes de lava
terra e pó,
em meu corpo fustigado de guerreira amadurecida
jaz nos cascos da memória umbilical.
(A mais profunda e difusa voz)
Feliz cântico de outrora
soa transparente na voz
jamais esquecida
numa canção de embalar.
"In memoriam ad..."
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Comentários
Re: Canção de embalar
embala, ...mas doi.
bjs
(lindo)
Re: Canção de embalar
São palpitantes as recordações que estas ondas de terra e pó trazem à mente adormecida numa melodia de sonho.
Uma bela canção de embalar.:-)
Beijo
Re: Canção de embalar
Ainda conforta só o recordar. Bonita homenagem.
Bjs
Re: Canção de embalar
Bonito. Fez-me sonhar com canções de embalar.