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Causa Mortis Libris

Nasce em tela digital a OBRA;
Novo autor que se publica em algorítmo.
Nessa era em um tanto de inclusão,
Outro tanto enterrará papéis e livros.

O poeta planta verbos numa tela,
Primavera digital de flores,
Um jardim feito em monitores,
Enterrando, nesses túmulos límpidos,
Todos os livros em que morrem árvores.

A caneta e o lápis nos dedos,
Lixo adjunto e adjacente aos meios,
Que superam na correção e efeitos
Tudo agora em milhões de histórias.

Teclas curvam-se em precisões mais sólidas,
Tintas fluem de necessidades fluídas.
Os poemas de úteis formas insólitas
Fazem livros-folhas peças de um museu de história.

Numa lápide sem papel, inglória,
Como o mármore na polidez diacrônica,
Dá eletricidade à página neônica,
Enquanto a poesia que antes estava morta,
Nela mesma, na era da eletrônica,
Ressuscita textos de poetas mortos.

Cessará o tempo do tecer tardio
Nos porões e os poetas mortos-vivos
Voltarão de sua utopia última,
Festejando o profeta lúdico,
Que brincava com o tempo único;
Hoje duplo, bilocando histórias.

Mil poetas em rede antológicas,
Produção de lírica sincrônica,
Se esquecendo da edição em folhas úmida.
Os poemas nascendo em quase tudo.

No epitáfio da página cozida,
Nenhum dígito dedilhou saudades;
A capa dura ou lombada em vincos
Nunca mais derrubarão as árvores.

Digitados como busca pátria,
Livros-sonhos de vidro no mundo.
Seis bilhões lendo a mesma folha,
Reunindo a terra toda nesta escolha...
Muda tudo, mas o amor restaura.

Manuscrito que vence a morte,
Energia numa forma estática,
A tragédia pode trazer sorte;
Se há poetas com o dom da palavra.

Ilustrações de um mundo-do-ex-livro:
Quanta gente nesta hora exalta
Como aquele que nasceu nas pautas
Encenaram a lágrima post-meridium.

Morrem livros no oceano vítrico
Nascem, ao menos, muito mais leitores.
Se sofrermos, por isso, delírios,
Lembraremos também as árvores nos campos.

Morte ou vida... Salvem os escritores,
Editando sobre a lente líquida.
Quantas mãos os paéis ainda consomem?
A leitura não mora em papéis,
Vive em livros dentro de cada homem!

Causa mortis na história dos livros
É uma coisa próxima do impossível...
Sempre estarão na alma do indivíduo...
Mortos somente quando não são lidos.

Bruno Resende Ramos.

Nasceu em Viçosa, Minas Gerais, aos 5 dias de março de 1969. Filho de Edir de Resende Ramos e João Lopes Ramos. Formou-se em Letras e Artes pela Universidade Federal de Viçosa e cursou Pós-graduação em Língua Inglesa.

Livros: Coletâneas "Poemas e outros encantos", "Contos e Crônicas para viagem", "Livre Pensar Literário", "Semeando idéias... Colhendo poemas", "Infância que te quero ter", e técnicos "Plantio Econômico e Prático de Eucalipto", "Combate às Formigas - Cortadeiras".

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sábado, maio 8, 2010 - 12:48

Poesia :

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brunoteenager

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Comentários

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Re: Causa Mortis Libris

Oi Bruno!
Uma reflexão contundente a respeito da história do livro,em cada página virada que magistralmente o teu poema nos conduz...
O livro sempre será o livro,assim como os bons poemas.
Muitoo bom!
:-) Suzete Brainer.

imagem de vitor

Re: Poeta de Pautas

Um poeta de pautas
uma vida com elas
Ao encontro delas
doutras almas.

Fantástico poema Bruno.
Fala quem sabe, e é sempre um prazer
ler.

Abraço.
Vitor.

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