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DESEQUILIBRADAMENTE SÓ

Não me queiras sem música.
Sem aquele olhar lançado à tarde.

Não me queiras triste.

Abortado dos sonhos.
Sem sentido.

Sem janela por onde remar o meu grito.

Não me queiras mau.
Zangado com o tempo a odiar-te.

Desequilibradamente só.

Não me queiras morto.
Sem lugar em ti.

Joga ter-me,
não me deixes de fora do teu jogo.
Saca da manga o mérito só teu de te amar.

Torna-me gigante,
prisioneiro da liberdade,
usa-me como pente da tua vaidade.

Convida-me para dançar nas tuas sombras.
Mostra-me a verdade fria da tristeza que sentes.
Põe em cima da mesa do meu coração a faca que te mata.

Não te ausentes
quando eu não estou no meu fogo em ti.

Não me queiras apagado.
Sepultado em não.

Pára de mandar embora.
Não deixes que a carne seja um cancro entre nós.

Não me queiras a não querer-te.

Não me tires cacos da alma à toa,
sem me perguntar se esse meu pedaço de canoa
é para deitar ao lixo da má sorte ou reciclar a morte.

Não me queiras sem acreditar ter-me.
Não gosto que atravesses o deserto sem mim.

.
.
.
.
.

Submited by

domingo, abril 8, 2012 - 01:46

Poesia :

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Henrique

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Traços marcantes

Vossos traços que são só seus,
No uso e abuso,
Das figuras de linguagens,
Sonetos em prosopopéias,
Versos em hipérboles,
Poemas em metáforas,
Este é nosso grande poeta,
Este é nosso querido Henrique!
Este é o nosso amigo!

Beijos

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