CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

EU E O CHÃO DO PÁTIO

Nos fundos do rancho, abro a porta
Vejo o limoeiro e a figueira
Também vejo a pitangueira
E outra figueira, já morta
Galharia seca, torta
Ainda serve em seu final
Para se atar o varal
Que seca as roupas surradas
Sempre as mesmas usadas
Que a mim não fazem mal

No chão o pasto que aparo
Sofre quando a seca ocorre
Amarela mas não morre
Resiste e não pede amparo
Aguenta se o preço é caro
E, diga-se de passagem,
Depois da chuva a imagem
Volta verde outra vez a ser
Ciclo que tem o poder
De eternizar a paisagem

Diferente desse pasto
Que quando cresce eu aparo
O meu tempo é curto e caro
E sem perceber eu gasto
E sem saber que eu existo
Como as coisas materiais
O chão que não me refaz
Nada sabe sobre mim
Onde eu vou morar no fim
Para brotar nunca mais

Esse chão que é derradeiro
Para quem um dia parte
Serve para a obra de arte
Que constrói o João barreiro
Sem material de pedreiro
Usado pra fazer casas
Ele usa o bico e as asas
E o barro, sábio segredo
Para depois cantar cedo
Junto à prenda, sem despesas

-Num momento, de repente
Por força do imaginário
Eu saio do obituário
Séculos depois, um instante
E o chão, indiferente
Quanto a mim, por suposto
Segue fazendo a seu gosto
O milagre que renova
E o velho pátio é a prova
Onde seca e brota o pasto.

Sérgio da Silva Teixeira

BAGÉ/RS/BRASIL.

Submited by

quinta-feira, maio 23, 2024 - 23:35

Poesia :

No votes yet

Sérgio Teixeira

imagem de Sérgio Teixeira
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 4 dias 7 horas
Membro desde: 01/24/2011
Conteúdos:
Pontos: 855

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of Sérgio Teixeira

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Geral APAGÕES 2 415 07/20/2024 - 23:03 Português
Poesia/Geral RIMAS QUÂNTICAS 0 115 07/10/2024 - 18:25 Português
Poesia/Geral CONTAGEM REGRESSIVA 2 367 07/10/2024 - 18:03 Português
Poesia/Geral PERIGO NO PENSAMENTO (DÉCIMAS) 1 366 06/27/2024 - 16:00 Português
Poesia/Soneto QUANDO O SONO ME ABANDONA 2 449 06/25/2024 - 16:30 Português
Poesia/Soneto SONNETO DE LA ESPERANZA 1 1.069 06/24/2024 - 20:28 Espanhol
Poesia/Geral O VERSO E O REVERSO 0 129 06/10/2024 - 21:45 Português
Poesia/Geral EU E O CHÃO DO PÁTIO 0 315 05/23/2024 - 23:35 Português
Poesia/Geral INCREDULIDADE 0 525 04/19/2024 - 18:10 Português
Poesia/Soneto SONETO DE DIA E NOITE 0 370 04/17/2024 - 00:39 Português
Poesia/Meditação O ÓCIO E A GANGORRA 0 243 03/07/2024 - 00:14 Português
Poesia/Tristeza POESIA CATASTRÓFICA 0 263 03/03/2024 - 21:20 Português
Poesia/Soneto SONETO DO MEDO 0 231 03/02/2024 - 00:39 Português
Poesia/Geral PRINCÍPIOS (IA) 0 334 02/20/2024 - 17:48 Português
Poesia/Geral TEMPO DA GRAÇA - (O CAOS NO COMANDO) 0 578 01/12/2024 - 02:10 Português
Poesia/Geral O DIA SEGUINTE 0 285 12/24/2023 - 20:25 Português
Poesia/Soneto SONETO À ESPERANÇA 2 1.544 12/19/2023 - 18:54 Português
Poesia/Geral DE QUEM VIAJA NO TEMPO 2 1.813 12/15/2023 - 16:34 Português
Poesia/Geral A MESMA COISA DIFERENTE 0 252 12/03/2023 - 17:09 Português
Poesia/Geral RASTROS DE VERSOS 0 297 11/25/2023 - 18:11 Português
Poesia/Geral DISTRAINDO O TEMPO 0 410 11/10/2023 - 14:14 Português
Poesia/Geral MINHAS MADRUGADAS 0 426 10/28/2023 - 15:11 Português
Poesia/Geral DESPEDIDA 0 295 09/04/2023 - 15:35 Português
Poesia/Geral SETEMBRO PRESENTE 0 455 09/01/2023 - 14:57 Português
Poesia/Dedicado ORAÇÃO DE AMÉM A MIM 0 437 08/24/2023 - 22:16 Português